
SÃO BENTO DO SUL. O promotor Thiago Alceu Nart, junto com a colega Bianca Andrighetti Coelho, atua na acusação do rio-negrinhense Milton Ruckl, acusado de ter provocado um acidente que resultou na morte de seis pessoas em 6 de setembro de 2014. Ruckl é réu em júri popular que começou por volta das 09h de hoje (14), no Fórum da Comarca.
Na ação penal pública, consta que o réu estava dirigindo uma BMW, alcoolizado e em alta velocidade por volta das 22h, na SC-301, no trecho conhecido como 27 Curvas, que liga São Bento do Sul e Rio Negrinho.
Também consta, conforme o processo, que ele invadiu a pista contrária e bateu contra dois veículos, onde estavam as vítimas. Seis pessoas morreram, incluindo uma criança de 1 ano; somente uma vítima sobreviveu.
Em sua fala na tarde de hoje, Nart analisou o comportamento do empresário.
“Milton nunca assumiu os erros dele, nem nos acordos que ele faz, ele assume. O que ele fez nesse processo foi uma sequência de mentiras, alterando versões da ocorrência”.
Conforme o promotor, na época do acidente, Ruckl disse na delegacia que havia refrigerante no caneco de chopp que aparece em sua mão em uma foto em que estava com amigos na Schlachtfest, em São Bento do Sul. Ele esteve no evento, acompanhado de sua filha, horas antes da fatalidade.
Depois, conforme afirmou sua defesa hoje, assumiu que havia bebido álcool, porém em pequena quantidade.
Contrapondo os argumentos da defesa, Nart questionou outra versão do caso, que foi a de que Ruckl entrou em surto e por isso saiu do hospital antes dos profissionais do local terminarem de atendê-lo. Ali ficou ainda sua filha, acompanhada da mãe.
“Estranho esse surto dele, que durou três dias. Se tivesse se apresentado na manhã seguinte, seria possível fazer um exame para verificar se estava ou não dirigindo sob influência do álcool”.
Nart ainda questionou os argumentos de que não há laudo técnico que comprove que o réu estava conduzindo a BMW sob efeito de bebida alcoólica.
“Não tem nada que comprove porque ele fugiu do local”.
Ele ainda lembrou que poucos momentos antes do acidente fatal nas 27 Curvas, Ruckl já havia feito uma ultrapassagem em local proibido, perto da Univille, conforme afirmou uma testemunha.
“Ela contou que após a colisão, foi até o local e viu um amigo de Ruckl comentar : ‘Vou fazer o quê? Está bêbado!”.
Recorrentes
O promotor lembrou aos jurados que Ruckl já respondeu um processo no Paraná, sendo condenado por matar uma mulher em um acidente em que dirigia em alta velocidade. Porém, não chegou a ficar preso. Naquela ocasião, conforme Nart, Ruckl se justificou, dizendo que o outro veículo invadiu a pista dele e chegou a relatar a mesma situação neste segundo processo.
“Então ele sabia das consequências de dirigir nas condições em que estava. Quantas pessoas ele ainda vai matar?”.
De acordo com o promotor, na delegacia, ainda na época do acidente em São Bento do Sul, Ruckl disse que não havia passado em cima das “tartarugas” da via, versão que foi modificada depois, a partir do laudo de um perito, que afirmou que o carro foi prejudicado pelas condições da SC 301, tendo as “tartarugas” contribuído para estourar a roda da BMW.
“Foi um parecer comprado. Esse perito já foi preso, como integrante de uma quadrilha que falsificava laudos de veículos”.
Acerca das más condições da SC 301, apontadas como fatores que contribuíram para a tragédia, Nart falou que eram mais um motivo para Ruckl dirigir com prudência.
“Na verdade o que a gente entende é que se a via era perigosa, se ali gera acidente, se as condições climáticas, neblina, … não favorecem o trânsito, a atitude dele tinha que ter sido outra. Ele deveria dirigir com mais cautela e em menor velocidade. Mas provas indicam o contrário, ou seja, de que ele estava em alta velocidade, fazendo duas ultrapassagens em local proibido”.
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