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Defesa diz que Milton Ruckl tentou evitar acidente e que condições irregulares da via contribuíram para ocorrência que resultou na morte de seis pessoas em São Bento do Sul 

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Defesa diz que Milton Ruckl tentou evitar acidente e que condições irregulares da via contribuíram para ocorrência que resultou na morte de seis pessoas em São Bento do Sul 

Foto: reportagem do Nossas Notícias, que acompanha os trabalhos no local

SÃO BENTO DO SUL. O julgamento do rio-negrinhense Milton Ruckl segue no Fórum da Comarca hoje (14). Os trabalhos começaram por volta das 09h e várias pessoas foram ouvidas. A defesa e a acusação também já se manifestaram.

O advogado Nilton Ribeiro de Souza, de Curitiba (PR) atua na defesa de Ruckl. Na acusação, trabalham os promotores de Justiça Thiago Alceu Nart e Bianca Andrighetti Coelho. 

Na ação penal pública, consta que o réu estava dirigindo uma BMW, alcoolizado e em alta velocidade por volta das 22h, na rodovia SC-301, no trecho conhecido como 27 Curvas, que liga São Bento do Sul e Rio Negrinho. Também consta, conforme o processo, que ele invadiu a pista contrária e bateu contra dois veículos, onde estavam as vítimas. Seis pessoas morreram, incluindo uma criança de 1 ano; somente uma vítima sobreviveu. 

Conforme confirmou o advogado de Milton, o réu esteve na Schlachtfest no dia do acidente e ingeriu meio chopp e uma lata de cerveja. Para ele, a quantidade da bebida ingerida não comprova que o acusado estava bêbado no momento do acidente. 

“A tese de que ele estava embriagado no momento do acidente é totalmente sem fundamento algum. O  próprio Ministério Público assume que ele ingeriu essa quantidade de bebida, entre 15h e no máximo 17h. Que embriaguez é essa em que com essa quantidade de álcool ele estaria bêbado às 22h?”. 

O advogado disse ainda que é impossível negar que houve uma tragédia, porém destaca que Ruckl não pode ser acusado de dolo eventual, que é quando a pessoa aceita um resultado de morte previsível.

“Ele tinha que aceitar inclusive a própria morte, porque era o piloto do carro. E mais: no banco de traz vinha sua filha e ele teria que aceitar ainda o risco de morte da menina. E não foi o que aconteceu ali. Foi um acidente”. 

Segundo ele, também a via está em condição irregular, contrariando norma do Conselho Nacional de Trânsito, o que favorece a ocorrência de acidentes de trânsito no local. 

“Na verdade estão colocando ele como ‘bode espiatório’ de uma rodovia totalmente irregular. Ali é permitida a ultrapassagem, permitidos dois carros concomitantemente andando um do lado do outro e lá em cima a via fecha com tachões, que são totalmente irregulares, conforme o Conatran. Isso porque pode acontecer como foi com o Milton ali. Ele estourou a roda da BMW. Quando ela estoura, ele vira e tenta evitar o acidente”. 

Ribeiro de Souza também pediu para que os jurados remetam o processo para julgamento da juíza.  

“Acidente não vem para tribunal do júri. É um equívoco o que está acontecendo aqui. Ele deveria ser julgado por um júri singular, para levantar até que ponto teve culpa nesse caso. Dolo eventual é um equívoco gigantesco. Não estou negando que aconteceu o fato, mas o Conselho de Sentença não seria o competente para este caso, é um erro e vou provar. Se cometeu uma imprudência, tem que responder, mas não sujeito a mesma pena de um bandido. Queremos um julgamento justo e correto”.

“Querer imputar a ele um homicídio por dolo eventual é um equívoco jurídico. Reforço que o acidente se deu em função das condições da sinalização da rodovia. Reafirmo que está provado que ele não estava embriagado, o último gole dele foi antes das 17h”.

“Temos que fazer uma ‘mea culpa’ do poder executivo, que não toma providência alguma nessa estrada mortal e todo mundo sabe que vai acontecer mais acidentes e mais mortes ali. O Milton não foi o primeiro e não será o último a se envolver em um acidente. Estão querendo fazer dele um ‘bode expiatório’ de uma incompetência do poder executivo”. 

Ia visitar o pai

A esposa de Ruckl contou que no dia do acidente ele estava indo para Rio Negrinho, com a filha do casal. 

“O seu Milton, meu sogro, ligou falando que estava com um problema na internet e pediu que ele fosse dar uma olhada. Então meu marido foi para a casa dele, com a intenção de deixar nossa filha dormindo lá. Enquanto isso, fiquei em casa com nosso filho. Ele não estava bêbado; se estivesse, jamais deixaria nossa filha sair com ele”, declarou. 

“Ele não fugiu”

O advogado ainda declarou que Milton não fugiu do hospital, apesar de ter saído dali antes de ter terminado seu atendimento. Ali ele também deixou sua filha, já acompanhada da mãe. 

“Ele não fugiu, estava em estado de choque. Saiu do carro, passou por tudo aquilo, viu pessoas mortas, … Isso desequilibra o estado emocional de qualquer pessoa. Ele deixou a menina com a esposa no hospital e saiu andando sem rumo, depois foi pra casa e ficou em casa. Logo depois foi preso, mas a prisão foi revogada pelo TJSC,que entendeu que não havia motivo para a prisão”. 

A Defesa informou que o réu pagou quase R$ 300 mil de indenização às famílias das vítimas. 

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