
RIO NEGRINHO. Alguns moradores do bairro Jardim Hantschel, procuraram a equipe do Nossas Notícias para relatar um problema que, segundo eles, vem se agravando: o aumento de pedintes circulando pelas ruas do bairro. As reclamações incluem abordagens insistentes, venda de doações recebidas e até pedidos feitos tarde da noite, gerando sensação de insegurança.
De acordo com os relatos, alguns pedintes dizem pedir comida, mas depois acabam vendendo o que recebem. Há ainda denúncias de que cestas básicas distribuídas por programas sociais ou por doações de moradores estariam sendo revendidas. “A gente ajuda com alimento, dá um pacote de arroz, um leite. Depois vê essas coisas sendo vendidas em outras casas aqui perto. Tem gente oferecendo cesta básica por R$ 50,00. Isso é um desrespeito”, contou uma moradora.
Outro ponto citado pelos moradores é a insistência dos pedintes, inclusive em horários inconvenientes. Eles também manifestaram preocupação com a segurança, dizendo temer que, em algum momento, alguém tente entrar em casas vazias ao perceber que não há ninguém.
Procuramos o secretário de Assistência Social, Matheus Henrique Guckert, que explicou que a oferta de esmolas e doações improvisadas, mesmo que bem-intencionadas, pode gerar um efeito contrário ao desejado.
“Entendemos a boa vontade das pessoas, mas dar dinheiro ou alimentos diretamente não resolve o problema. Ao contrário, pode reforçar a permanência de algumas pessoas nas ruas e dificultar a atuação dos serviços públicos, que têm equipes treinadas para oferecer ajuda de forma estruturada”, destacou o secretário.
Ele orienta que moradores encaminhem essas situações ao Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), que é responsável por atender pessoas em situação de rua e vulnerabilidade. O órgão faz busca ativa, escuta qualificada, acompanhamento social e até providencia retorno de pessoas para suas cidades de origem, quando necessário. O contato pode ser feito pelo telefone (47) 3644-3989 ou presencialmente, na Rua Pedro Simões de Oliveira, 634, no Centro.
Além disso, muitos dos casos relatados envolvem problemas de saúde mental ou uso abusivo de álcool e drogas. Nesses casos, a Secretaria recomenda acionar o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), que atua com tratamento clínico e terapêutico, buscando reinserção social dessas pessoas.
Ainda de acordo com Guckert, a Polícia Militar deve ser chamada somente em casos de ameaça, conflito, invasão, risco à integridade das pessoas ou perturbação grave da ordem. “É preciso agir com responsabilidade. A Polícia é para situações de risco real, não para preconceito ou intolerância. O trabalho de assistência social e saúde continua sendo o principal para resolver essas situações”, afirmou.
A Secretaria reforça que o caminho mais eficaz é não dar esmolas, e sim oportunidade. Isso significa não oferecer dinheiro nem doações improvisadas, mas sim comunicar as equipes responsáveis, que têm condições de intervir com acompanhamento adequado.
A população também pode denunciar à ouvidoria da Prefeitura ou diretamente à Secretaria de Assistência Social se houver suspeita de venda de cestas básicas fornecidas por programas sociais. Quanto mais informações houver sobre a pessoa que está vendendo — como nome e foto — mais fácil será investigar e tomar providências.
“Queremos que a população seja parceira nesse trabalho. É importante comunicar as situações, apoiar as equipes e, sempre que possível, participar de campanhas e ações comunitárias organizadas, que ajudam de forma ética e responsável”, concluiu o secretário.





