
SANTA CATARINA. O prefeito de Criciúma, Vaguinho Espíndola (PSD), decidiu se colocar na pele de uma pessoa em situação de rua e passou uma noite vivendo essa realidade. A experiência, realizada no dia 10 de julho, teve como objetivo entender de forma mais profunda os desafios enfrentados por quem está nas ruas e avaliar as políticas públicas do município.
A imersão começou no início da noite, por volta das 18h30, e se estendeu até a madrugada. Vaguinho percorreu quase 40 quilômetros pelas ruas da cidade, visitou pontos centrais como as praças do Congresso e Nereu Ramos e chegou até a região do Pinheirinho, próxima aos trilhos, um dos locais onde há maior concentração de pessoas em situação de rua.
O prefeito contou que a experiência foi planejada em sigilo: apenas sua esposa e uma equipe responsável pela captação de imagens, que o acompanhou à distância, sabiam da ação. Durante as horas que passou nas ruas, Vaguinho se misturou às pessoas, pediu esmolas em semáforos — arrecadando R$ 5,75 em apenas 15 minutos — e recebeu doações espontâneas, como um copo de café de uma criança e um pedaço de pão de um idoso.
Após a vivência, o prefeito anunciou que está decidido a adotar a internação involuntária para pessoas em situação de rua que não apresentam condições de permanecer nessa realidade. Ele destacou que muitas dessas pessoas “não têm mais condições de gerir a própria vida” e que a medida será incluída em um novo protocolo a ser desenvolvido junto às forças de segurança.
Vaguinho também cobrou maior envolvimento do Governo do Estado e da União. Segundo ele, os municípios acabam arcando sozinhos com os custos de políticas públicas e serviços como Casa de Passagem, Centro POP, clínicas de desintoxicação e ações de assistência social.
“Os recursos são insuficientes; os municípios arcam com todas essas despesas. É preciso rever o orçamento para que chegue aos municípios com políticas mais efetivas”, justificou.
O prefeito apontou ainda que, em muitos casos, as drogas não são a principal causa de uma pessoa ir para as ruas, mas sim o que a mantém nessa realidade. Ele afirmou que combater o tráfico e o crime organizado será essencial para dar resultados.
“Não tem como estarem na rua sem estarem vivendo esse mundo, e quem alimenta esse mundo é o crime, o tráfico, as facções. As pessoas que estão ali são reféns e vítimas desse sistema criminoso”, destacou.
Com base na experiência, Vaguinho prometeu apresentar, nos próximos dias, um pacote de medidas que reunirá ações de segurança, acolhimento, combate às drogas e novos protocolos para lidar com a população em situação de rua.





