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Lembra do aposentado que encontrou uma onça no pátio de casa em Mafra? E se fosse com você? Veterinários professores da Unisociesc explicam como proceder em um eventual caso desse

REGIÃO. No dia 18 de abril, um aposentado de Mafra encontrou uma onça sussuarana no quintal de casa. A notícia, juntamente com vários vídeos e fotos, naturalmente viralizou. Afinal, não é todo dia que se encontra um animal desse assim, tão de perto. Na ocasião, foram acionados Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Militar Ambiental, CIDASC e um veterinário especializado nesse tipo de situação. No final da operação, a onça acabou voltando para seu habitat natural. Mas a questão é que uma situação dessa poderia acontecer com qualquer pessoa, inclusive comigo, com você, com amigos ou familiares… E neste sentido, qual a melhor coisa a se fazer se por acaso um dia algum de nós se deparar com um animal desse? Buscando maiores esclarecimentos sobre o assunto, nossa reportagem entrou em contato com o doutor Eduardo Alexandre de Oliveira, Médico Veterinário, professor e coordenador do curso de Medicina Veterinária da UNISOCIESC São Bento do Sul e com a professora mestre Ana Carolina Fradianelli, Médica Veterinária e especialista em animais selvagens, que também é professora do curso de Medicina Veterinária da UNISOCIESC São Bento do Sul. Os especialistas explicaram primeiramente que a onça parda (também conhecida como puma, suçuarana ou leão baio) é um animal nativo da região das Américas. Segundo eles, em algumas localidades o animal já foi extinto, principalmente devido à caça.

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Mas no início de 2019, foi encaminhada uma onça morta para realização de necrópsia por professores e alunos de Medicina Veterinária da UNISOCIESC São Bento do Sul .E essa necrópsia indicou que o animal foi morto por projétil de arma de fogo. Nesse sentido, os veterinários explicaram o que pode ter motivado o aparecimento do animal tanto no caso de Rio Negrinho como no de Mafra, que foi o mais recente na região. “A onça-parda pode ter se aproximado do local por diversos motivos, entre eles: área de mata próxima, presença de corredor de fauna, busca por alimento, busca por parceiro reprodutivo, afastamento de determinada área de mata por questão de territorialismo da espécie, entre outras causas”. Eles enfatizaram também que a  seca no Planalto Norte ou o isolamento social das pessoas podem ter sido fatores que fizeram com que o animal se aproximasse das residências. “Temos visto diversos exemplos em várias regiões do mundo onde a redução do impacto antrópico resultante do isolamento social deixou o ambiente mais tranquilo e atrativo por parecer mais seguro à fauna silvestre. Não conheço a região em relação a cursos d’água, mas a busca por alimento e água podem ter sido um dos fatores motivadores para o animal deixar a área de mata também”, enfatizaram. E a “questão que não quer calar”: o que fazer se por acaso uma onça ou outro animal da mesma espécie aparecer na minha ou na sua frente?
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“Bem, dificilmente nos depararemos com um animal desse, pois esses animais tem um olfato e uma audição aguçados e se afastam naturalmente do ser humano quando notam nossa presença. Animais jovens podem se aproximar eventualmente por curiosidade. De qualquer forma, trata-se de um animal selvagem, de grande porte e carnívoro, então a recomendação é a mesma para as demais espécies: não se aproximar, não chamar sua atenção, não oferecer alimento ou buscar interação e, principalmente, não fazer nada que ofereça risco à saúde do animal, pois além de crueldade trata-se de crime ambiental passível de multa e detenção, agravado nesse caso por se tratar de um animal ameaçado”. Os especialistas ainda frisaram que é fundamental acionar o Corpo de Bombeiros Militar para que essas equipes acionem a Polícia Militar Ambiental e outras equipes em caso de necessidade de afugentamento ou resgate desses exemplares em situação de risco. “Na UNISOCIESC São Bento do Sul, o Grupo de Estudos de Animais Selvagens (GEAS) têm auxiliado de maneira intensa no resgate, tratamento e soltura de diversas espécies de animais selvagens em nossa região”, lembraram. Por fim, eles destacaram a importância da preservação dessas espécies. “Esses animais fazem parte do ecossistema e devem ser preservados, a fim de manter o equilíbrio ambiental e a biodiversidade. É importante lembrar que a caça desses animais é crime ambiental e os infratores são passíveis de multa e detenção”.
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