
RIO NEGRINHO. O promotor de Justiça Cláudio Everson Gesser Guedes da Fonseca apresentou, durante o Tribunal do Júri realizado nesta sexta-feira (18), na Câmara de Vereadores de Rio Negrinho, a tese da acusação sobre o ataque com facão ocorrido no antigo Supermercado Compre Mais, no bairro São Rafael.
A reportagem do Nossas Notícias acompanha a sessão no local desde a manhã desta sexta-feira (18). Durante sua manifestação, o promotor utilizou imagens das câmeras de segurança do estabelecimento para apresentar aos jurados, conforme a interpretação do Ministério Público, a dinâmica dos fatos ocorridos em 24 de outubro de 2025.
Ao comentar uma das imagens, o promotor chamou a atenção para o momento em que Kessya Souza Veiga aparece descendo uma escada após já ter sido atingida. Na sequência, segundo a explicação apresentada aos jurados, Jheniffer Schlucubier aparece atrás dela segurando o próprio rosto.
O promotor relacionou a cena ao depoimento prestado por Jheniffer nesta sexta-feira. Segundo ele, a vítima contou que percebeu, pelo reflexo de uma porta de vidro, a gravidade do ferimento sofrido no rosto e na região da orelha, segunndo ela, ao perceber que parte do seu rosto estava ”caindo” e a orelha ”pendurada”, ela segurou o rosto e saiu de dentro do refeitório.
Durante a sustentação, o representante do Ministério Público defendeu a tese de que o réu teria planejado o ataque e que o crime contra Kessya ocorreu em contexto de violência doméstica, motivado, segundo a acusação, pela inconformidade do réu com o fim do relacionamento.
Conforme relatado pelo promotor aos jurados, o relacionamento entre os dois teria começado quando Kessya tinha 14 anos. Posteriormente, ela chegou a morar por um período na residência dos pais do então namorado. Ainda segundo a narrativa apresentada pela acusação, Kessya discordava de determinados comportamentos e vícios do réu e teria insistido para que ele mudasse. Diante da continuidade dessas situações, decidiu encerrar o relacionamento.
“Se tem alguém que não dorme hoje, é ele”, afirmou o promotor durante sua manifestação aos jurados.
Demonstração com facão
Outro momento da apresentação da acusação foi marcado por uma demonstração realizada pelo promotor diante dos jurados. Utilizando um facão, ele golpeou um tijolo com o objetivo de ilustrar aspectos relacionados à força e ao instrumento utilizado durante o ataque.
A demonstração integrou a argumentação apresentada pelo Ministério Público para sustentar as acusações de tentativa de feminicídio contra Kessya e de tentativa de homicídio qualificado contra Jheniffer e Felipe Eduardo de Lima Kwitschal.
Sessão segue nesta sexta-feira (18)
As três vítimas foram ouvidas de forma privada durante a manhã desta sexta-feira, conforme informado anteriormente pelo Nossas Notícias. Kessya foi a primeira a prestar depoimento, seguida pelas outras duas vítimas. Durante as oitivas, permaneceram no local apenas as pessoas diretamente envolvidas no ato, entre integrantes do Judiciário, Ministério Público e advogados.
Após o encerramento dos depoimentos reservados, a sessão foi aberta ao público e a comunidade passou a acompanhar o julgamento no plenário da Câmara de Vereadores.
O autor das agressões foi denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de tentativa de feminicídio contra a ex-namorada, Kessya Souza Veiga e tentativa de homicídio qualificado contra Jheniffer Schlucubier e Felipe Eduardo de Lima Kwitschal, colegas de trabalho de Késsia. As três acusações são de tentativa de crime contra a vida e segundo simulações jurídicas extraoficiais, podem gerar pena de até 25 anos de prisão.
A sessão do Júri será presidida pelo Juiz Rodrigo Clímaco José, e funcionará como Promotor de Justiça, Cláudio Everson Gesser Guedes da Fonseca na acusação, acompanhado pela assistência da advogada Arilenes Linzmeyer e na defesa do réu, o advogado Jorge Rafael Matos.
O Ministério Público arrolou como testemunhas as três vítimas e a defesa, por sua vez, arrolou outras cinco testemunhas, que serão ouvidas em plenário.
Relembre o caso
O crime aconteceu em 24 de outubro de 2025, no antigo Supermercado Compre Mais, no bairro São Rafael, em Rio Negrinho.
Segundo as informações apuradas na época, o acusado, então com 23 anos, teria ido até o estabelecimento após o término do relacionamento com Kessya, que tinha 18 anos, e a atacado com um facão de aproximadamente 50 centímetros de lâmina.
Jheniffer e Felipe também foram atingidos ao tentarem intervir. As três vítimas precisaram de atendimento médico. Kessya sofreu ferimentos graves e posteriormente teve uma das mãos amputada.
Após o ataque, o suspeito fugiu, mas foi localizado e preso pela Polícia Militar pouco tempo depois, no bairro São Pedro.