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“Três pessoas poderiam não estar aqui”, afirma advogada que atua na acusação durante júri de homem que atacou ex-namorada e colegas dela com facão em supermercado de Rio Negrinho

“Três pessoas poderiam não estar aqui”, afirma advogada que atua na acusação durante júri de homem que atacou ex-namorada e colegas dela com facão em supermercado de Rio Negrinho

“Três pessoas poderiam não estar aqui”, afirma advogada que atua na acusação durante júri de homem que atacou ex-namorada e colegas dela com facão em supermercado de Rio Negrinho

RIO NEGRINHO. A advogada Arilenes Linzmeyer, que atua ao lado do Ministério Público na acusação, também se manifestou durante o Tribunal do Júri realizado nesta sexta-feira (18), na Câmara de Vereadores de Rio Negrinho. Em sua fala aos jurados, ela abordou as consequências do ataque para as três vítimas e seus familiares e pediu a condenação do réu. A reportagem aqui do Nossas Notícias esta no local acompnhando a sessão desde o ínicio da manhã.

Durante sua manifestação, Arilenes relembrou quando conheceu Kessya Souza Veiga, também na Câmara de Vereadores, durante uma atividade relacionada à Procuradoria da Mulher. Segundo a advogada, naquele momento a jovem ainda demonstrava os impactos do que havia vivido. Ao falar sobre as consequências da violência, a advogada destacou que os efeitos não se restringem diretamente às vítimas.

“Quando a gente machuca uma filha, a gente machuca uma mãe, a gente machuca um pai, a gente machuca uma irmã, a gente machuca todas as pessoas que acompanham essa pessoa”, afirmou.

Arilenes também direcionou parte de sua manifestação às três vítimas. Segundo ela, embora o julgamento termine nesta sexta-feira, as consequências do episódio continuam fazendo parte da vida de Kessya, Jheniffer Schlucubier e Felipe Eduardo de Lima Kwitschal.

“Kessya, o julgamento acaba aqui hoje. Para você, para a Jheniffer e para o Felipe. Mas a luta para viver é um dia de cada vez”, declarou.

“Três pessoas poderiam não estar aqui”

Durante a sustentação, a advogada afirmou que as três vítimas poderiam ter morrido e destacou que, na interpretação da acusação, a intervenção de uma pessoa em defesa da outra foi determinante durante o ataque. Arilenes também recuperou uma informação apresentada durante o depoimento privado de Kessya. Segundo relatado pela advogada aos jurados, Kessya afirmou que o réu somente teria parado de golpeá-la porque acreditou que ela já estivesse morta.

A advogada sustentou ainda que, na visão da acusação, outras pessoas que tentassem impedir o ataque também poderiam ter sido atingidas.

Ao pedir a condenação, Arilenes fez duras críticas ao réu e afirmou aos jurados que, na avaliação da acusação, ele representa risco caso volte ao convívio social. “Ele não é digno de viver socialmente. Votem para condenar e saiam com a consciência limpa”, declarou.

A relação entre Kessya e o réu também voltou a ser abordada durante a manifestação. Conforme a tese apresentada pela acusação, os dois permaneceram em um relacionamento por quase cinco anos e teriam terminado e retomado a relação em diferentes momentos.

Segundo Arilenes, Kessya teria voltado ao relacionamento em ocasiões anteriores diante de promessas de mudança feitas pelo então namorado. Quando decidiu não retomar mais a relação, segundo a acusação, ocorreu o ataque.

“Isso não é amor”, afirmou a advogada aos jurados.

Acusação sustenta que crime foi planejado

Conforme já publicado pelo Nossas Notícias, antes da manifestação de Arilenes, o promotor de Justiça Cláudio Everson Gesser Guedes da Fonseca apresentou a tese do Ministério Público e sustentou que o ataque teria sido planejado e ocorrido em contexto de violência doméstica, diante da inconformidade do réu com o fim do relacionamento.

O promotor utilizou imagens das câmeras de segurança do supermercado para apresentar aos jurados a dinâmica do ataque segundo a acusação. Durante a sustentação, ele também realizou uma demonstração utilizando um facão e um tijolo.

Sessão segue nesta sexta-feira

As três vítimas foram ouvidas de forma privada durante a manhã desta sexta-feira, conforme informado anteriormente pelo Nossas Notícias. Durante as oitivas, permaneceram no local apenas as pessoas diretamente envolvidas no ato, entre integrantes do Judiciário, Ministério Público e advogados. Após os depoimentos reservados, a sessão foi aberta ao público e a comunidade passou a acompanhar o julgamento no plenário da Câmara de Vereadores.

O autor das agressões foi denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de tentativa de feminicídio contra a ex-namorada, Kessya Souza Veiga e tentativa de homicídio qualificado contra Jheniffer Schlucubier e Felipe Eduardo de Lima Kwitschal, colegas de trabalho de Késsia. As três acusações são de tentativa de crime contra a vida e segundo simulações jurídicas extraoficiais, podem gerar pena de até 25 anos de prisão.

A sessão do Júri será presidida pelo Juiz Rodrigo Clímaco José, e funcionará como Promotor de Justiça, Cláudio Everson Gesser Guedes da Fonseca na acusação, acompanhado pela assistência da advogada Arilenes Linzmeyer e na defesa do réu, o advogado Jorge Rafael Matos.

O Ministério Público arrolou como testemunhas as três vítimas e a defesa, por sua vez, arrolou outras cinco testemunhas, que serão ouvidas em plenário.

Relembre o caso

O crime aconteceu em 24 de outubro de 2025, no antigo Supermercado Compre Mais, no bairro São Rafael, em Rio Negrinho.

Segundo as informações apuradas na época, o acusado, então com 23 anos, teria ido até o estabelecimento após o término do relacionamento com Kessya, que tinha 18 anos, e a atacado com um facão de aproximadamente 50 centímetros de lâmina.

Jheniffer e Felipe também foram atingidos ao tentarem intervir. As três vítimas precisaram de atendimento médico. Kessya sofreu ferimentos graves e posteriormente teve uma das mãos amputada.

Após o ataque, o suspeito fugiu, mas foi localizado e preso pela Polícia Militar pouco tempo depois, no bairro São Pedro.

A reportagem do Nossas Notícias está no local e acompanha o andamento do Tribunal do Júri ao longo desta sexta-feira.

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