
SANTA CATARINA. A mulher de 37 anos presa em Joinville por suspeita de se passar por uma adolescente para obter abrigo, sustento e outras vantagens teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça, após pedido do Ministério Público (MPSC).
A investigada é suspeita dos crimes de estelionato e falsa identidade. Conforme o Ministério Público, a manutenção da prisão foi solicitada para garantir a ordem pública e evitar a continuidade de práticas criminosas, além de assegurar o andamento das investigações. A Promotoria também apontou que a ausência de residência fixa e o histórico de deslocamentos por diversos estados poderiam dificultar a aplicação da lei.
Segundo a investigação, a mulher teria se apresentado sob o nome falso de “Gabriele” e afirmado ser uma adolescente de 11 anos, posteriormente dizendo ter 12 anos. Ela alegava ser portadora de autismo e vítima de abusos, adotando comportamentos infantilizados, como o uso de mamadeira e chupeta, para reforçar a falsa identidade.
De acordo com o inquérito, ela teria conquistado a confiança de uma família de Joinville, onde permaneceu por cerca de 14 meses. Durante esse período, os moradores teriam arcado integralmente com despesas de moradia, alimentação, roupas e medicamentos.
A fraude começou a ser descoberta após familiares das vítimas identificarem semelhanças entre a suspeita e reportagens sobre golpes semelhantes registrados em outros estados. As investigações apontam que a mulher já teria aplicado o mesmo tipo de golpe em locais como Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.
Conforme a Polícia Civil, o método utilizado consistia em se aproximar de famílias e instituições religiosas por meio de histórias de vulnerabilidade, buscando conquistar confiança e obter benefícios materiais.
A promotora de Justiça Bruna Gonçalves Gomes destacou que a conduta investigada demonstra elevado grau de reprovabilidade e teria explorado sentimentos de solidariedade, empatia e afeto para obtenção de vantagens ilícitas.
Além da prisão preventiva, o Ministério Público também solicitou a quebra do sigilo dos dados do celular apreendido com a suspeita. A medida inclui acesso a mensagens, registros telefônicos e conteúdos de aplicativos, que poderão auxiliar na identificação de outras possíveis vítimas e na apuração da extensão das fraudes.





