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Assembleia Legislativa de SC aprova projeto que proíbe cotas raciais nas universidades estaduais

Assembleia Legislativa de SC aprova projeto que proíbe cotas raciais nas universidades estaduais

Assembleia Legislativa de SC aprova projeto que proíbe cotas raciais nas universidades estaduais

SANTA CATARINA. A Assembleia Legislativa (Alesc) aprovou nesta quinta-feira (11) o Projeto de Lei 753/2025, que proíbe a adoção de cotas raciais para estudantes e funcionários em universidades estaduais e em instituições que recebam verbas públicas do estado. A proposta, de autoria do deputado Alex Brasil (PL), segue agora para sanção do governador Jorginho Mello, também do PL.

Apesar de não mencionar explicitamente o termo cotas raciais, o texto elimina esse tipo de reserva ao não incluí-la entre as categorias permitidas. Pela redação, ficam autorizadas apenas as vagas destinadas a pessoas com deficiência (PCDs), a critérios exclusivamente econômicos e a estudantes formados no ensino médio público estadual.

Uma das instituições impactadas pela medida é a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), que possui cerca de 14 mil alunos distribuídos entre mais de 60 graduações e mais de 50 programas de mestrado e doutorado.

Sanções previstas

O projeto prevê multa de R$ 100 mil para editais que descumprirem a proibição. Além disso, agentes públicos que desobedecerem a regra poderão responder a procedimento administrativo por violação ao princípio da legalidade.

Ao justificar a proposta, Alex Brasil argumentou que cotas baseadas em critérios que não o econômico ou a origem escolar poderiam gerar controvérsias jurídicas e ferir princípios como isonomia e impessoalidade. O parlamentar também criticou a ampliação de ações afirmativas para outros grupos, como pessoas trans e refugiados. “O mérito daquela pessoa que precisa estudar, que precisa realmente se dedicar para conseguir uma vaga, estava sendo deixado de lado”, afirmou antes da votação.

Votação simbólica e oposição

A votação ocorreu de forma simbólica, sem registro eletrônico dos votos. A mesa diretora anunciou nominalmente os sete deputados que se manifestaram contra o projeto:

Padre Pedro Baldissera (PT)

Fabiano da Luz (PT)

Neodi Saretta (PT)

Marquito (Psol)

Dr. Vicente Caropreso (PSDB)

Paulinha (Podemos)

Rodrigo Minotto (PDT)

A Alesc conta com 40 deputados, e dois estavam ausentes.

 

Durante a sessão, o deputado Fabiano da Luz (PT) qualificou a proposta como “um apagamento”, afirmando que as cotas raciais existem para corrigir desigualdades históricas. Ele citou dados do Censo 2022, que mostram que pretos e pardos representam 55,5% da população brasileira — em Santa Catarina, os dois grupos somam 23,3%. O parlamentar também lembrou que pessoas negras ainda recebem cerca de 40% menos do que pessoas brancas no país.

 

“Fingir que isso não existe é escolher a cegueira institucional”, disse o petista, que classificou o projeto como “retrógrado” e afirmou que ele deverá ser alvo de questionamentos judiciais.

 

Não afeta instituições federais

 

A medida não tem impacto sobre universidades federais, como a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Nessas instituições continua valendo a Lei de Cotas, que reserva vagas para minorias, incluindo negros, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência e estudantes de baixa renda.

 

Em decisão unânime de 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a constitucionalidade das cotas raciais, destacando que a política é fundamental para reduzir desigualdades e ampliar o acesso ao ensino superior.

 

Fonte: Agência Brasil

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