
SANTA CATARINA. Em uma sessão marcada pela emoção, o Tribunal do Júri da Comarca de Itajaí condenou, nesta terça-feira (9), um homem de 23 anos pelo feminicídio da própria namorada, Maria Gabriella, de 14 anos. O crime ocorreu em fevereiro deste ano, no bairro Brilhante, e gerou grande comoção na cidade.
O réu recebeu pena de 48 anos, seis meses e 24 dias de reclusão em regime inicial fechado, além do pagamento de indenização de R$ 100 mil à família da vítima. Ele foi condenado por feminicídio e ocultação de cadáver.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o acusado não aceitou o fim do relacionamento e atacou Maria Gabriella pelas costas, desferindo cerca de 13 golpes de faca. Após o crime, jogou o corpo da adolescente no rio Itajaí-Mirim, onde foi encontrado três dias depois, na divisa entre Itajaí e Navegantes.
O julgamento foi acompanhado por familiares e amigos da jovem. A mãe, Débora Alexandre, emocionou os jurados ao declarar: “Ele tirou de mim o meu bem mais precioso. A Gabi era tudo pra mim. Há quase sete meses minha vida nunca foi e nunca mais será a mesma.”
A promotora de Justiça Mirela Dutra Alberton apresentou a denúncia por cerca de uma hora, exibindo fotos, depoimentos e provas reunidas ao longo das investigações. Em sua fala, ela ressaltou a gravidade do feminicídio: “O feminicídio é a face mais extrema da violência contra a mulher. Essa decisão demonstra que a sociedade catarinense não aceita mais a naturalização desses crimes e que a vida das mulheres precisa ser protegida em todas as suas formas.”
Durante a sessão, uma amiga de infância da vítima, Thamiris Pollheim Zabel, também prestou depoimento e relatou que a adolescente vivia com medo do acusado: “Uma vez na escola ela ficou com medo de sair porque ele estava do lado de fora esperando por ela.”
O advogado da família, Rômulo Garcia, destacou a importância da condenação: “É necessário que o Brasil acorde, que o mundo acorde, que Itajaí acorde — mulher não é objeto.”
A sentença foi recebida com forte comoção. Débora Alexandre, mãe de Maria Gabriella, chegou a passar mal durante a leitura, mas fez questão de afirmar:“Nada vai trazer minha filha de volta, mas sinto, ao menos, que a justiça hoje foi feita aqui.”