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Projeto que suspende regras de aborto legal para meninas avança na câmara

Projeto que suspende regras de aborto legal para meninas avança na câmara

Projeto que suspende regras de aborto legal para meninas avança na câmara

BRASIL. O Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 3/2025, que pretende derrubar a Resolução nº 258/2024 do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), avançou na Câmara dos Deputados. O relator, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), emitiu parecer favorável pela revogação da medida, que trata das diretrizes para aborto legal em crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

O parecer foi aprovado pelas comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família e de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJ). Para Gastão, menores de 16 anos não têm autonomia para decidir sobre a interrupção da gravidez, e o procedimento só deveria ocorrer mediante boletim de ocorrência ou autorização judicial. “A dispensa de autorização judicial, a meu ver, constitui afronta ao direito de acesso do nascituro ao Poder Judiciário”, afirmou o relator.

Críticas à resolução

A resolução do Conanda, em vigor desde dezembro de 2024, estabelece que nenhum obstáculo de tempo de gestação deve impedir o aborto e que a vítima pode realizar o procedimento sem a necessidade de autorização dos pais ou de comunicação ao Conselho Tutelar, especialmente quando há suspeita de violência no ambiente familiar.

O deputado Luiz Gastão também criticou a ausência de limite de semanas para a realização do aborto, alegando que a medida abriria margem para a interrupção da gestação até mesmo em fases avançadas.

Mobilização conservadora

O avanço do projeto contou com articulação de deputados da bancada conservadora, incluindo Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF), Chris Tonietto (PL-RJ), Marco Feliciano (PL-SP) e Zé Trovão (PL-SC), além de parlamentares de partidos como MDB, PSD, Avante, União Brasil, Podemos e Republicanos.

No último dia 27, a deputada Chris Tonietto apresentou pedido de urgência para que o PDL seja levado diretamente ao Plenário, sem necessidade de nova tramitação pelas comissões.

Em despacho conjunto, os deputados contrários à resolução afirmam que o Conanda “menospreza o poder familiar”, dá “interpretações inapropriadas sobre a objeção de consciência” e “confere maior poder decisório a crianças e adolescentes do que prevê a legislação civil”. Para os parlamentares, a norma viola o direito à vida e à integridade física do feto.

Argumentos em defesa da norma

O Conanda sustenta que sua resolução segue parâmetros internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS) e protocolos já aplicados em diversos países. O texto garante atendimento seguro e humanizado para meninas vítimas de estupro, sem burocracias que possam atrasar o procedimento.

Em nota técnica, a campanha Criança Não é Mãe afirmou que o PDL representa “um grave retrocesso” e alertou que, sem a normativa, crianças estupradas podem enfrentar barreiras para acessar o direito ao aborto legal.

Entre 2018 e 2023, uma adolescente de 10 a 19 anos morreu por semana no Brasil por complicações da gestação, segundo dados citados pela campanha. A OMS aponta que meninas de 15 a 19 anos correm maior risco de eclâmpsia, infecções e complicações graves na gravidez do que mulheres adultas.

A nota também destaca os impactos sociais da gravidez precoce: a taxa de evasão escolar entre adolescentes sem filhos é de 5%, mas sobe para 47% entre aquelas que se tornam mães.

Gravidez infantil no Brasil

Um levantamento da Associação de Obstetrícia de Rondônia aponta que, em 2023, 14 mil meninas de 10 a 14 anos deram à luz no país, enquanto apenas 154 tiveram acesso ao aborto legal.

Dados da Fiocruz Bahia mostram ainda que, entre 2015 e 2019, 67% das vítimas de estupro tinham entre 10 e 14 anos, e em 62% dos casos o agressor era conhecido da criança.

Com informações da Agência Brasil.

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