
RIO NEGRINHO. O homem julgado pelo ataque com facão contra a ex-namorada, Kessya Souza Veiga, e dois colegas de trabalho dela, Jheniffer Schlucubier e Felipe Eduardo de Lima Kwitschal, foi condenado a 60 anos, 5 meses e 10 dias de reclusão. A poucos minutos antes desta publicação, a reportagem aqui do Nossas Notícias foi informada pelo judiciário que houve uma alteração na pena, por um erro de cálculo por parte da equipe do júri e, portanto a pena divulgada anteriormente, de 56 anos e seis dias de reclusão, em regime inicial fechado, foi aumentada.
O julgamento ocorreu ao longo desta sexta-feira (18), na Câmara de Vereadores de Rio Negrinho. A reportagem do Nossas Notícias esteve no local e acompanhou a sessão desde a amnhã desta sexta-feira (18).
A pena foi definida após a decisão do Conselho de Sentença e a leitura da sentença pelo juiz Rodrigo Clímaco José. Além da pena de prisão, o réu foi condenado ao pagamento de indenizações às três vítimas, que, somadas, chegam a R$ 200 mil.
Anteriormente, na dosimetria, a pena relacionada ao crime praticado contra Kessya foi estabelecida em 35 anos, seis meses e 20 dias de reclusão. Já em relação aos crimes envolvendo Jheniffer e Felipe, considerados na sentença como crimes continuados, a pena foi estabelecida em 20 anos, cinco meses e 16 dias. A atualização da dosimetria ainda não foi divulgada.
Também não houve substituição da pena privativa de liberdade nem concessão de suspensão condicional da pena.
Indenizações chegam a R$ 200 mil
A sentença também acolheu o pedido apresentado pelo Ministério Público para a fixação de valores mínimos de indenização por danos morais às vítimas.
Para Kessya, foi estabelecido o pagamento de R$ 80 mil. Na fundamentação, foram consideradas, entre outras consequências, a amputação da mão direita, além das sequelas físicas e psicológicas decorrentes do ataque. Ela havia recém-completado 18 anos quando o crime aconteceu.
Para Jheniffer, a indenização foi fixada em R$ 60 mil, considerando as cicatrizes visíveis e as sequelas físicas e psicológicas mencionadas na sentença.
Felipe também deverá receber R$ 60 mil, diante das cicatrizes e das consequências físicas e emocionais provocadas pelo ataque.
Ao final, o magistrado determinou a execução imediata da pena, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal citado durante a leitura da decisão.
Julgamento começou com depoimentos reservados
O Tribunal do Júri começou na manhã desta sexta-feira. Inicialmente, a sessão ocorreu sem a presença do público para preservar as três vítimas durante seus depoimentos.
Kessya foi a primeira a ser ouvida. Jheniffer e Felipe também optaram por prestar seus relatos de forma reservada. Durante as oitivas, permaneceram no local apenas as pessoas diretamente envolvidas no ato, entre integrantes do Judiciário, Ministério Público e advogados.
Depois da conclusão dos depoimentos, a sessão foi aberta ao público e a comunidade passou a acompanhar as demais etapas do julgamento.
O Ministério Público levou o réu a julgamento por tentativa de feminicídio contra Kessya e tentativas de homicídio qualificado contra Jheniffer e Felipe.
Acusação utilizou imagens do ataque
Durante sua manifestação, o promotor de Justiça Cláudio Everson Gesser Guedes da Fonseca utilizou imagens das câmeras de segurança do supermercado para apresentar aos jurados a dinâmica do ataque conforme a tese do Ministério Público.
A acusação sustentou que a ação teria sido planejada e que o crime contra Kessya ocorreu em contexto de violência doméstica, diante da inconformidade do réu com o fim do relacionamento.
Em determinado momento, o promotor realizou diante dos jurados uma demonstração utilizando um facão e um tijolo, com o objetivo de ilustrar aspectos relacionados ao instrumento utilizado e à força empregada durante o ataque.
“Se tem alguém que não dorme hoje, é ele”, afirmou o promotor durante sua manifestação.
Na sequência, a advogada Arilenes Linzmeyer, que atuou ao lado do Ministério Público na acusação, abordou as consequências do crime para as vítimas e seus familiares e pediu a condenação do réu.
“Kessya, o julgamento acaba aqui hoje. Para você, para a Jheniffer e para o Felipe. Mas a luta para viver é um dia de cada vez”, declarou.
Defesa questionou interpretação jurídica
A defesa foi realizada pelo advogado Jorge Rafael Matos, nomeado pela Justiça para atuar no julgamento.
O defensor não contestou os acontecimentos registrados pelas câmeras de segurança, mas apresentou aos jurados uma interpretação jurídica diferente sobre determinados aspectos do caso e questionou qualificadoras sustentadas pela acusação.
“A gente não tem como negar o que as imagens estão mostrando. O que me cabe como defesa é explicar como aquilo é ou não é”, afirmou.
Em relação a Jheniffer e Felipe, a defesa sustentou que o réu não teria agido com intenção de matá-los, mas de afastá-los enquanto tentavam intervir no ataque contra Kessya.
O advogado também contestou aspectos relacionados à motivação atribuída ao ataque contra a ex-namorada e argumentou que não teria ocorrido recurso destinado a dificultar a defesa das vítimas.
“O meu sentido não é ficar negando, nem apelar, porque eu não gosto de ser apelativo. Eu gosto de ser técnico mesmo”, declarou.
Após os debates, coube aos jurados analisar os quesitos apresentados e decidir sobre as acusações. Com a decisão do Conselho de Sentença, o juiz realizou a dosimetria e estabeleceu a pena definitiva.
Relembre o caso
O crime aconteceu em 24 de outubro de 2025, no antigo Supermercado Compre Mais, no bairro São Rafael, em Rio Negrinho.
Segundo as informações apuradas na época, o acusado, então com 23 anos, foi até o estabelecimento após o término do relacionamento com Kessya, que tinha 18 anos, e a atacou com um facão de aproximadamente 50 centímetros de lâmina.
Jheniffer e Felipe também foram atingidos ao tentarem intervir. As três vítimas precisaram de atendimento médico. Kessya sofreu ferimentos graves e posteriormente teve a mão direita amputada.
Após o ataque, o homem fugiu, mas foi localizado e preso pela Polícia Militar pouco tempo depois, no bairro São Pedro. Durante as diligências, o facão apontado como utilizado no crime foi encontrado abandonado em um terreno baldio.
O julgamento desta sexta-feira foi presidido pelo juiz Rodrigo Clímaco José. O Ministério Público foi representado pelo promotor de Justiça Cláudio Everson Gesser Guedes da Fonseca, com assistência da advogada Arilenes Linzmeyer. A defesa ficou sob responsabilidade do advogado Jorge Rafael Matos.