
RIO NEGRINHO. O advogado Jorge Rafael Matos, responsável pela defesa do réu julgado nesta sexta-feira (18) pelo ataque com facão contra a ex-namorada e dois colegas de trabalho dela, afirmou que adota uma defesa técnica e que não pretende negar os fatos registrados pelas câmeras de segurança do antigo Supermercado Compre Mais.
Em entrevista à reportagem do Nossas Notícias durante o Tribunal do Júri, realizado na Câmara de Vereadores de Rio Negrinho, Matos explicou que sua atuação estará concentrada principalmente na discussão jurídica das qualificadoras apresentadas pela acusação.
“A gente não tem como negar o que as imagens estão mostrando. O que me cabe como defesa é explicar como aquilo é ou não é”, afirmou.
Em resumo, ele alega que as imagens das câmeras mostram que o réu não agiu com a intenção de matar Jheniffer e Felipe, colegas de trabalho de sua ex, Kessya. Conforme o defensor, ele teve o objetivo de afastá-los no momento em ela era defendida pela dupla.
Segundo o advogado, o ataque do réu à ex não foi por motivo fútil, que seria o fim do relacionamento. De acordo com ele, o crime foi cometido pelo que o réu interpretou, naquele momento, como uma traição.
Ainda segundo o defensor, o réu não dificultou a defesa de sua ex nem de seus colegas.
“Senão, teria trancado ela ou a esperado sair do trabalho para surpreendê-la em um local onde não pudesse fugir. Ele não se passou por outra pessoa para enganar os colegas de Khessia e chegar perto dela, por exemplo. Não podemos falar que ele tentou matar Felipe e Jheniffer”.
O advogado disse compreender a consternação provocada pelo caso e classificou a situação como grave, mas ressaltou que o réu tem direito à defesa e que esse é um elemento necessário para a realização do julgamento.
“Entendo a consternação de todo mundo. Também, quando eu vi isso, a gente fica consternado, entende que é uma situação muito absurda. Mas o meu papel como defesa, a minha participação hoje aqui, é para fazer justiça. Se não tiver defesa, a gente não tem justiça”, declarou.
“O meu sentido não é ficar negando, nem apelar, porque eu não gosto de ser apelativo. Eu gosto de ser técnico mesmo”, explicou.
O defensor afirmou que pretende demonstrar aos jurados que determinados outros aspectos também apresentados pela acusação podem, em sua avaliação, receber outra interpretação jurídica.
“A situação é em relação às qualificadoras, que o promotor entende que tem algumas e eu entendo o contrário. Tecnicamente, analisando a situação, é isso que a gente consegue trabalhar”, disse.
O Ministério Público denunciou o réu por tentativa de feminicídio contra Kessya Souza Veiga e por tentativas de homicídio qualificado contra Jheniffer Schlucubier e Felipe Eduardo de Lima Kwitschal.
Segundo o advogado, caberá aos jurados decidir, após ouvirem acusação e defesa, qual interpretação deve prevalecer.
“Eu vou tentar demonstrar que não é exatamente a visão que o promotor colocou, que eu entendo que pode ser analisado de uma outra forma. Mas a gente vai deixar que os jurados decidam o que eles entendem”, afirmou.
Advogado foi nomeado pela Justiça
À reportagem do Nossas Notícias, Jorge Rafael Matos esclareceu ainda que não foi contratado pela família do acusado. Segundo ele, foi procurado há aproximadamente duas semanas pela chefia do cartório do Judiciário e aceitou ser nomeado para realizar a defesa no Tribunal do Júri.
O advogado afirmou que decidiu assumir o caso por considerar importante que, diante da gravidade e complexidade do julgamento, o réu tivesse uma defesa técnica.
Conforme já publicado pelo Nossas Notícias, durante a manifestação da acusação, o promotor de Justiça Cláudio Everson Gesser Guedes da Fonseca sustentou que o ataque teria sido planejado e ocorrido em contexto de violência doméstica, diante da inconformidade do réu com o fim do relacionamento.
O promotor utilizou imagens das câmeras de segurança do supermercado para apresentar aos jurados a dinâmica do ataque segundo a tese do Ministério Público. Na sequência, a advogada Arilenes Linzmeyer, que atua ao lado da Promotoria na acusação, também pediu aos jurados a condenação do réu.
O autor das agressões foi denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de tentativa de feminicídio contra a ex-namorada, Kessya Souza Veiga e tentativa de homicídio qualificado contra Jheniffer Schlucubier e Felipe Eduardo de Lima Kwitschal, colegas de trabalho de Késsia. As três acusações são de tentativa de crime contra a vida e segundo simulações jurídicas extraoficiais, podem gerar pena de até 25 anos de prisão.
A sessão do Júri será presidida pelo Juiz Rodrigo Clímaco José, e funcionará como Promotor de Justiça, Cláudio Everson Gesser Guedes da Fonseca na acusação, acompanhado pela assistência da advogada Arilenes Linzmeyer e na defesa do réu, o advogado Jorge Rafael Matos.
O Ministério Público arrolou como testemunhas as três vítimas e a defesa, por sua vez, arrolou outras cinco testemunhas, que serão ouvidas em plenário.
Relembre o caso
O crime aconteceu em 24 de outubro de 2025, no antigo Supermercado Compre Mais, no bairro São Rafael, em Rio Negrinho.
Segundo as informações apuradas na época, o acusado, então com 23 anos, teria ido até o estabelecimento após o término do relacionamento com Kessya, que tinha 18 anos, e a atacado com um facão de aproximadamente 50 centímetros de lâmina.
Jheniffer e Felipe também foram atingidos ao tentarem intervir. As três vítimas precisaram de atendimento médico. Kessya sofreu ferimentos graves e posteriormente teve uma das mãos amputada.
Após o ataque, o suspeito fugiu, mas foi localizado e preso pela Polícia Militar pouco tempo depois, no bairro São Pedro.
A reportagem do Nossas Notícias está no local e acompanha o andamento do Tribunal do Júri ao longo desta sexta-feira.