
SÃO BENTO DO SUL. O Clube dos Radioamadores de São Bento do Sul (CRASBS) completou, na última terça-feira (7), 29 anos de história, consolidando uma trajetória marcada pela comunicação, pelo voluntariado e pelo apoio prestado à comunidade e aos órgãos públicos em situações de emergência. Em entrevista ao Nossas Notícias, o sócio-fundador Gilson Machado relembrou a evolução do radioamadorismo na cidade e destacou que, mesmo diante do avanço da tecnologia, o rádio continua sendo um dos meios de comunicação mais seguros e eficientes.
“Se por algum motivo todos os meios tecnológicos deixarem de funcionar por causa de uma guerra, uma catástrofe, um apagão ou qualquer outro desastre, os radioamadores continuarão operando com suas antenas e equipamentos. O rádio nunca deixou de ser importante”, afirmou. Gilson recorda que a história do radioamadorismo no município começou muito antes da fundação oficial do clube. Segundo ele, três gerações de radioamadores ajudaram a construir esse legado.
Entre os pioneiros estão nomes como o médico Hans Egon Kechele, Hegon Husmann, que atuou entre 1945 e 1985, e Otávio Maia. Na segunda geração, o destaque foi Herwin Piening, que permaneceu ativo por 35 anos, entre 1983 e 2018. Já a terceira geração tem como principal representante Gilmar Machado, conhecido como “Juba”, atual presidente do clube e radioamador desde 1986.
Formação de mais de 100 radioamadores
Gilson conta que a necessidade de fortalecer as comunicações durante os Jogos Abertos de Santa Catarina de 1996 impulsionou a criação do clube. Na época, integrantes do antigo PX Clube buscaram orientação em Joinville com o radioamador Rubens Wagner e organizaram cursos ministrados pelo professor Walter, também radioamador.
“Nos orgulhamos de ter formado mais de uma centena de radioamadores nesses 29 anos”, destaca. Atualmente, o CRASBS possui sede própria e mantém uma repetidora de VHF operando na frequência 147.240 MHz. Recentemente, a repetidora foi integrada às de Itajaí e Jaraguá do Sul, ampliando significativamente a cobertura da comunicação entre radioamadores.
Hoje, o sistema atende praticamente todo o litoral catarinense, desde Florianópolis até a divisa com o Paraná, além de parte do Vale do Itajaí e do Planalto Norte.
Apoio à Justiça Eleitoral e às forças de segurança
Além do hobby, os integrantes do clube desempenham funções importantes em apoio à sociedade. Durante os períodos eleitorais, os radioamadores auxiliam a Justiça Eleitoral no transporte de urnas e na comunicação entre equipes de segurança e o Cartório Eleitoral.
Em comunidades isoladas, como Rodeio de Santa Cruz e Santana, em Campo Alegre, onde não existe cobertura de telefonia celular, são os equipamentos do CRASBS que garantem a transmissão de informações sobre o andamento da votação e outras ocorrências.
Comunicação que salva vidas
Ao longo dessas quase três décadas, o clube também participou de diversas ações humanitárias. Segundo Gilson Machado, os radioamadores prestaram apoio durante enchentes em Rio Negrinho, colaboraram com a Polícia Militar, Defesa Civil, Justiça Eleitoral e diversos outros órgãos públicos em situações onde a comunicação convencional era limitada.
Além do trabalho voluntário, o clube também participa de competições nacionais e internacionais de radioamadorismo, conquistando diversos títulos, incluindo campeonatos brasileiros. Em 2024, o CRASBS organizou o 29º Encontro Catarinense de Radioamadores, reunindo participantes de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso.
Durante os contatos realizados pelo rádio, os participantes trocam os tradicionais cartões QSL, documentos que funcionam como uma confirmação oficial da comunicação entre radioamadores de diferentes cidades e países. Para Gilson, os 29 anos do clube representam muito mais do que um hobby. “São 29 anos de amizade, união, ajuda ao próximo e dedicação à comunidade. O rádio continua vivo porque sempre haverá alguém disposto a ajudar quando os outros meios falharem”, cita.








