
SÃO BENTO DO SUL. O contato entre pacientes e cães, antes realizado de forma pontual, passou a fazer parte de um projeto estruturado no Hospital Sagrada Família, em São Bento do Sul. A iniciativa, chamada de “Cãoterapia”, é conduzida pela Comissão de Humanização da unidade e busca ampliar as formas de cuidado durante a internação. A proposta surgiu a partir da observação da equipe, que já percebia efeitos positivos quando animais visitavam o hospital de maneira ocasional. Com isso, a comissão decidiu organizar a ação, transformando as visitas em um projeto contínuo, com critérios definidos e acompanhamento.
Segundo a assistente de faturamento e integrante da comissão, Alessandra Knepke, com quem a reportagem do Nossas Notícias conversou, a intenção foi tornar esse tipo de interação parte do acolhimento oferecido aos pacientes. “Queríamos que deixasse de ser algo raro e passasse a fazer parte do cuidado”, explica. Nos quartos, a presença dos cães provoca mudanças no comportamento dos internados. Pacientes passam a conversar mais, relembram seus próprios animais e demonstram redução no estresse. Para acompanhantes, o momento também representa uma pausa na rotina hospitalar.
A iniciativa impacta ainda os profissionais de saúde em meio ao ambiente de trabalho, pois as visitas dos cães alegram o dia a dia deles também e contribuem para fortalecer o vínculo com os pacientes. Atualmente, o projeto ocorre ao menos uma vez por mês, podendo ser realizado com maior frequência conforme a demanda. A proposta para este ano é estruturar um grupo fixo de três a cinco cães, que devem atuar em sistema de revezamento, sempre acompanhados de seus tutores.
Todos os animais seguem protocolos específicos, com critérios de comportamento, saúde e higiene, garantindo segurança durante as visitas. Para explicar os benefícios da prática, a reportagem também ouviu o médico veterinário comportamentalista Willian Hey, da Alfa Adestramento, que já desenvolveu iniciativas semelhantes na região.
Segundo ele, a interação com cães pode reduzir indicadores fisiológicos de estresse, como a frequência cardíaca e os níveis de cortisol, além de estimular a liberação de hormônios ligados ao bem-estar, como a ocitocina. “A presença do cão torna o ambiente mais acolhedor, favorece a comunicação e pode contribuir para a adesão ao tratamento”, destaca.
O veterinário também reforça que a participação dos animais exige cuidados rigorosos. Os cães devem estar saudáveis, com vacinação em dia, controle de parasitas e higiene adequada, incluindo banho antes e após as visitas. No aspecto comportamental, precisam ser sociáveis, equilibrados e treinados para responder com segurança em ambientes hospitalares. Além disso, o preparo é contínuo, com avaliações frequentes para garantir a segurança dos pacientes e a qualidade das intervenções.
Ao integrar a Cãoterapia à rotina, o hospital amplia as possibilidades de cuidado, incluindo elementos que vão além dos procedimentos clínicos. Entre corredores e quartos, a presença dos cães passa a fazer parte de um ambiente que busca, também, acolher.





