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"Ser um guia atleta é ser os olhos de alguém; é um trabalho que não tem preço", conta Cláudio Ribeiro no Dia do Profissional de Educação Física

RIO NEGRINHO. Hoje é o Dia do Profissional de Educação Física, profissionais esses que tem ganho cada vez mais protagonismo nos últimos anos, a medida que as questões relativas à saúde e estética tem ficado cada vez mais em voga. A área de atuação para quem se forma em Educação Física é muito variada e possibilita inúmeras experiências, tanto para o profissional quanto para alunos, treinandos ou atletas. E em Rio Negrinho, desde 2012, Cláudio Ribeiro, vem se destacando por um trabalho voluntário diferenciado: ele é atleta guia de Jarbas Pereira de Souza Filho, atleta cego que é uma referência no atletismo nacional. Jarbas não só participou como também venceu várias competições dentro e fora do Brasil. E a história, também de vitórias, entre Claudio e Jarbas começou quando o atleta foi até a Academia Training, da qual Claudio é sócio proprietário junto com os irmãos Eliane e Ademir. “Ele foi tratar de um patrocínio e comentou que estava procurando um guia atleta. Eu disse que não conhecia ninguém mas perguntei o que ele achava da gente tentar e ele topou”. Na sequência, começaram os treinos. “A gente se acertou já desde o início. Ele me explicou como funcionava… Ele já corria muito e eu não era acostumado a corrida de velocidade. Foi então que percebi que ia precisar correr muito para acompanhar o rapaz”, contou. A partir daí eles investiram sério em treinamentos, contando inclusive com as orientações de um outro treinador, de Lages (SC). [caption id="attachment_30630" align="alignnone" width="300"] Claudio, com uma das planilhas dos primeiros treinamentos com Jarbas[/caption] “Ele nos passava uma planilha diária de treinos, bem puxados inclusive. Para se ter uma ideia da seriedade desse trabalho, às vezes os treinos são tão pesados que a gente chega a vomitar no final”.  Para ser um guia atleta Cláudio destacou que é preciso estar em dia com os treinos e em sintonia total com o guiado. “Uma coisa que é imprescindível é correr mais do que o atleta, pois além de estar guiando ele você tem que informar onde tem lombada, onde tem buraco, quando tem pessoas à frente, ao lado, … embora que o Jarbas tem essa percepção bem aguçada mas mesmo assim o guia tem que ser os olhos do seu atleta. Tem que estar bem sintonizado com a pessoa para poder melhorar o rendimento dela, você  não pode atrapalhar o teu atleta. E digo, pra ficar melhor que o Jarbas demorou bastante tempo para mim”, relatou.  De 2012 até o ano passado, quando Cláudio ainda correu com Jarbas, a dupla colecionou várias conquistas, participando de competições em diferentes cidades de Santa Catarina, no Rio de Janeiro (RJ), em São Paulo (SP) e na Argentina. O momento mais emocionante Ribeiro destacou que nessa trajetória de sucesso, o momento mais emocionante da dupla aconteceu na Argentina. “Era uma corrida de 400 metros, ele sentiu a perna nos primeiros 100 metros e começou a mancar. Eu falei : ‘vamos, Jarbas’ e ele correu mancando, se dedicando muito. E mesmo mancando ficou em segundo lugar, perdeu por pouquinho”, lembrou. Momentos engraçados  A convivência gerou muitos momentos engraçados também. Dentre eles, a abertura de Jarbas, que conforme Claudio, faz várias brincadeiras com sua deficiência e não só aceita como participa de brincadeiras desse tipo “Ele não se incomoda nenhum pouco, mostrando que é feliz assim. E eu fico pensando que tem tantas pessoas que não tem nenhum problema de saúde e estão sempre reclamando,…”. Outro fato também engraçado da história da dupla é que o guia atleta e o atleta correm com uma guia que os une, semelhante a uma pulseira e no início, quando começaram a correr pelas ruas da cidade, causaram curiosidade por parte de muitas pessoas. “No Campo do Industrial Norte, o pessoal ficava olhando a gente de uma forma estranha, pois não percebiam que o Jarbas era cego. E muitos me questionavam pelo fato de eu estar correndo ‘de mãos dadas’ com outro cara. Sempre levei na brincadeira, pois tenho a mente saudável e sem nenhum tipo de preconceito”. Cláudio disse que treinou com Jarbas até o ano passado, e que por conta da sua necessidade de se dedicar às atividades na Academia Training  precisou dar uma “segurada” nas atividades da dupla em alguns períodos. “O Jarbas já tem outros guias há algum tempo, mas quando passar a pandemia quero continuar correndo com ele outras vezes, com certeza. Ano passado corri com outra atleta com deficiência, a Taís, de São Bento do Sul e por isso também, quero me dedicar ainda a ser guia de outros atletas”. O que é ser um guia atleta  “É você ajudar teu semelhante, é muito gratificante! É um trabalho voluntário cujo retorno não tem preço!”. Cláudio Ribeiro se formou em Educação Física na segunda turma da Univille de São Bento do Sul e disse que desde criança foi apaixonado por esportes. A irmã mais velha, Eliane, também formada em Educação Física, foi uma de suas grandes inspirações.

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