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“O trauma não precisa definir o seu futuro”, destaca psicólogo de Rio Negrinho em série aqui do Nossas Notícias sobre saúde mental neste Setembro amarelo

“O trauma não precisa definir o seu futuro”, destaca psicólogo de Rio Negrinho em série aqui do Nossas Notícias sobre saúde mental neste Setembro amarelo

“O trauma não precisa definir o seu futuro”, destaca psicólogo de Rio Negrinho em série aqui do Nossas Notícias sobre saúde mental neste Setembro amarelo

RIO NEGRINHO. Quando se fala em trauma psicológico, é comum pensar em situações como acidentes, violência ou acontecimentos de grande impacto. Mas nem sempre é assim. Perdas, abandono, rejeição, bullying e experiências vividas durante a infância também podem deixar marcas profundas e interferir na forma como uma pessoa se relaciona consigo mesma e com o mundo.

Dentro da série especial do Nossas Notícias para o mês de setembro, dedicado à valorização da vida e à conscientização sobre a saúde mental, a primeira reportagem aborda justamente esse tema: os traumas, seus impactos e os sinais de que pode ser necessário buscar ajuda profissional.

Para falar sobre o assunto, o Nossas Notícias conversou com o psicólogo clínico Lincol Pedro Drosdek, 36 anos, formado pela Universidade do Contestado, pós-graduando em Gestão de Pessoas e Liderança pela PUC, cofundador do Instituto Ascender, em Rio Negrinho, palestrante, escritor e idealizador da abordagem psicológica da Síntese.

Segundo Lincol, o trauma não deve ser compreendido apenas como o acontecimento que a pessoa vivenciou, mas principalmente pelos efeitos que aquela experiência produz.

“O trauma não é apenas o evento em si, mas o impacto que ele deixa: a ruptura do senso de segurança, a sensação de desamparo e a fragmentação da percepção de controle sobre a própria vida”, explica.

Isso significa que uma experiência considerada pequena por quem está de fora pode ter um impacto significativo para quem a vivenciou. Cada pessoa possui uma história, recursos emocionais e condições diferentes para enfrentar situações difíceis.

“Duas pessoas podem vivenciar a mesma adversidade e processá-la de formas completamente diferentes. A resiliência e o suporte social atuam como fatores de proteção essenciais”, destaca o psicólogo.

Nem toda situação difícil provoca um trauma

Passar por uma situação dolorosa não significa necessariamente que a pessoa desenvolverá um trauma. De acordo com Lincol, o impacto depende de uma combinação de fatores, como a intensidade do acontecimento, a estrutura emocional do indivíduo, sua história de vida, a rede de apoio disponível e características biológicas.

Por isso, não existe uma fórmula que determine quais acontecimentos serão traumáticos para cada pessoa.

“A gravidade de uma experiência é profundamente subjetiva. Aspectos como a história de vida, a vulnerabilidade no momento do fato e o significado atribuído ao evento determinam seu impacto”, explica.

Trauma também pode estar relacionado a perdas e relações

Acidentes e episódios de violência são apenas alguns exemplos de acontecimentos capazes de provocar traumas.

O psicólogo explica que também existem os chamados traumas relacionais e de desenvolvimento, que podem estar relacionados à rejeição, negligência, abandono, bullying e perdas precoces.

Experiências prolongadas de desamparo dentro das relações podem deixar marcas profundas e, em alguns casos, produzir consequências tão importantes quanto um acontecimento violento pontual.

Relação entre trauma, ansiedade e depressão

Uma experiência traumática também pode contribuir para o desenvolvimento de transtornos psicológicos.

Quando o trauma não é elaborado, o organismo pode permanecer em um estado de alerta constante, conhecido como hipervigilância, ou apresentar respostas de paralisação. Esse desgaste prolongado pode favorecer o surgimento de quadros de ansiedade, depressão e reações fóbicas.

Entre os transtornos que podem estar associados a experiências traumáticas estão o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), transtornos de ansiedade, depressão, transtornos dissociativos e quadros de somatização.

A somatização ocorre quando o sofrimento emocional se manifesta por meio de sintomas físicos. Segundo Lincol, entre os exemplos que podem estar relacionados a esse processo estão síndrome do intestino irritável, gastrite nervosa, fibromialgia, bruxismo, dores no peito sem causa cardíaca identificada, convulsões e dermatites.

Mudanças de comportamento merecem atenção

Depois de uma experiência traumática, algumas alterações emocionais são esperadas. Entretanto, mudanças intensas ou persistentes no comportamento podem indicar que a pessoa está enfrentando dificuldades para elaborar o acontecimento.

Isolamento social, afastamento de amigos e atividades que antes proporcionavam prazer, irritabilidade excessiva, apatia, alterações no sono e na alimentação e a tentativa de evitar lugares, pessoas ou assuntos relacionados ao acontecimento estão entre os sinais que merecem atenção.

Nas primeiras semanas após uma situação traumática, reações intensas podem fazer parte de uma resposta de estresse agudo. Porém, quando os sintomas permanecem por mais de um mês, se intensificam ou começam a prejudicar o trabalho, os relacionamentos e os cuidados pessoais, é importante procurar avaliação profissional.

Quando é hora de pedir ajuda?

Alguns sinais indicam que a pessoa pode estar precisando de acompanhamento especializado. Entre eles estão a dificuldade para realizar tarefas básicas do cotidiano, flashbacks, pesadelos recorrentes, pensamentos intrusivos, medo extremo de sair de casa ou frequentar determinados lugares e o uso de álcool ou medicamentos sem orientação como tentativa de aliviar o sofrimento.

Também é necessário atenção diante de pensamentos suicidas ou da sensação persistente de que a vida perdeu o sentido.

Nessas situações, a orientação é buscar ajuda profissional. A psicoterapia pode oferecer um espaço seguro para que a pessoa consiga compreender e trabalhar as memórias e emoções relacionadas ao trauma.

“O acompanhamento psicológico oferece um ambiente seguro para o reprocessamento da memória traumática. O trabalho terapêutico auxilia a dessensibilizar a carga emocional associada ao evento, integrando a narrativa dolorosa à história de vida do indivíduo sem que ela continue a ditar o presente”, explica Lincol.

Em alguns casos, também pode ser necessária uma avaliação psiquiátrica. Os serviços públicos de saúde mental, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), também podem ser procurados.

O papel de quem está por perto

Familiares e amigos também têm um papel importante no processo de recuperação. Segundo o psicólogo, pressionar alguém para simplesmente “superar” o que aconteceu pode acabar aumentando o sofrimento.

“O acolhimento empático — pautado na escuta ativa, no respeito ao tempo da pessoa e na presença constante sem julgamentos — reconstitui a base de segurança interpessoal necessária para que o processo de elaboração ocorra”, afirma.

Para Lincol, familiares e amigos não precisam necessariamente encontrar uma solução para o problema. Muitas vezes, oferecer atenção e escutar sem julgamentos já representa uma forma importante de apoio.

A pessoa que passou por uma experiência traumática pode, inclusive, não se sentir em condições de procurar ajuda sozinha. Nesse momento, alguém próximo pode auxiliar na busca por um profissional ou serviço de saúde.

O trauma não precisa definir o futuro

Para quem está enfrentando sofrimento emocional depois de uma experiência traumática, o psicólogo deixa uma mensagem de esperança.

“O sofrimento que você sente agora é uma reação legítima a um evento desorganizador, não um sinal de fraqueza. Embora o trauma possa alterar a forma como você enxerga o mundo e a si mesmo, ele não precisa definir o seu futuro”, destaca.

Buscar ajuda não significa fraqueza. Pelo contrário, reconhecer que algo está afetando a própria vida e procurar apoio pode ser um passo importante para reconstruir a segurança, compreender o que aconteceu e seguir em frente.

Esta é a primeira reportagem da série especial do Nossas Notícias em setembro. Durante o mês, nossa equipe irá abordar diferentes temas relacionados à saúde emocional, prevenção e valorização da vida.

Nossas Notícias — informação também é uma forma de cuidar. Neste Setembro, nossa equipe está junto na valorização da vida.

“O trauma não precisa definir o seu futuro”, destaca psicólogo de Rio Negrinho em série aqui do Nossas Notícias sobre saúde mental neste Setembro amarelo

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