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Mulher que criou identidade falsa de menina de 12 anos é condenada e permanece presa em Joinville

Mulher que criou identidade falsa de menina de 12 anos é condenada e permanece presa em Joinville

Mulher que criou identidade falsa de menina de 12 anos é condenada e permanece presa em Joinville

SANTA CATARINA. A mulher de 37 anos que se passou por uma adolescente de 12 anos para ser acolhida por uma família de Joinville foi condenada pelos crimes de estelionato e falsa identidade. A decisão foi proferida pelo Juízo da 1ª Vara Criminal da comarca, que fixou a pena em 1 ano, 10 meses e 28 dias de prisão, em regime inicial semiaberto, e manteve a prisão preventiva, negando o direito de recorrer em liberdade.

A equipe do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) confirmou que, durante a audiência de instrução e julgamento realizada nesta semana, foram ouvidas as vítimas, testemunhas e a própria ré. Ao final, o órgão pediu a condenação pelos dois crimes e a manutenção da prisão preventiva para garantir a aplicação da lei e evitar a repetição de condutas semelhantes.

Segundo o promotor de Justiça Ricardo Paladino, as provas demonstraram que a acusada tinha plena consciência da ilegalidade de suas ações ao criar e sustentar uma identidade falsa para obter vantagens materiais.

Como funcionava o golpe

De acordo com a denúncia, a mulher criou a identidade fictícia de “Gabriele Ferreira dos Santos”, alegando ser uma menina de 12 anos em situação de vulnerabilidade. A partir dessa história, conseguiu ser acolhida por um casal, que passou a custear integralmente sua subsistência entre fevereiro de 2025 e junho de 2026.

Durante aproximadamente 14 meses de convivência, ela recebeu moradia, alimentação, transporte, medicamentos — incluindo remédios de alto custo para emagrecimento — e até uma festa de aniversário organizada pela família.

Para convencer as vítimas, a ré teria relatado supostos episódios de maus-tratos, abandono familiar e abusos, além de afirmar que tinha autismo. Também justificava sua aparência adulta dizendo que teria sido submetida ao uso forçado de hormônios durante a infância.

As investigações apontaram ainda que ela adotava comportamentos infantilizados para sustentar a farsa, como afinar a voz, utilizar mamadeira, chupeta e objetos típicos da infância, além de simular crises emocionais e de pânico.

Descoberta e repercussão

O caso veio à tona em junho deste ano, quando uma familiar do casal desconfiou da história e encontrou, pela internet, indícios de que a mulher já havia aplicado golpes semelhantes em outros locais.

Após a prisão, a investigação revelou que ela também admitiu ter utilizado o mesmo método em cidades como Curitiba (PR) e Nova Iguaçu (RJ), além de episódios em Minas Gerais, Goiás e Ceará.

Na sentença, a Justiça destacou que documentos reunidos durante a investigação, laudos periciais, depoimentos das vítimas e testemunhas e a própria confissão da ré comprovaram a autoria dos crimes. O processo tramita em segredo de justiça.

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