
REGIÃO. Prefeituras de municípios do Planalto Norte catarinense divulgaram notas oficiais nesta terça-feira (7) após a deflagração da Operação “Pão e Circo”, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), com apoio da Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC).
A operação investiga um suposto cartel formado por empresários do setor de eventos, suspeitos de estruturar um esquema de fraude em licitações para contratação de shows com artistas de renome nacional.
Segundo o MPSC, o grupo teria atuado para eliminar concorrência, manipular preços, além de envolver suspeitas de corrupção, pagamento e recebimento de propina e lavagem de dinheiro. A ação foi realizada na manhã desta terça-feira (7) e cumpriu 50 mandados de busca e apreensão em 19 municípios, sendo 18 em Santa Catarina e um no Rio Grande do Sul, além de um mandado de prisão preventiva contra um empresário. Na região, houve diligências em Canoinhas, Mafra, Itaiópolis, São Bento do Sul e Três Barras.
Prefeitura de São Bento do Sul
A Prefeitura de São Bento do Sul informou que não foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação. Segundo a nota oficial, nenhum órgão da Administração Municipal recebeu diligências relacionadas à investigação e o município afirma não possuir envolvimento com os fatos apurados. A prefeitura destacou que processos licitatórios e contratos públicos estão disponíveis no Portal da Transparência e afirmou permanecer à disposição das autoridades.
Prefeitura de Mafra
A Prefeitura de Mafra informou que recebeu equipes do GAECO durante o cumprimento de diligências relacionadas à operação. Segundo o município, os fatos investigados envolvem procedimentos relacionados à contratação de shows e eventos realizados entre os anos de 2017 e 2025. A administração afirmou que prestou apoio às autoridades, disponibilizando documentos e informações solicitadas, e reforçou o compromisso com a legalidade, transparência e correta aplicação dos recursos públicos.
Prefeitura de Canoinhas
A Prefeitura de Canoinhas confirmou o recebimento de equipes do GAECO para cumprimento de mandados de busca e apreensão relacionados à apuração de contratações de shows e eventos. Em nota, o município informou que a prefeita Zenilda Lemos e a ex-prefeita Juliana Maciel não são citadas na operação.
A administração destacou ainda que as contratações investigadas envolvendo empresas ocorreram entre os anos de 2017 e 2021 e afirmou que toda a documentação solicitada está sendo fornecida às autoridades.
Prefeitura de Itaiópolis
A Prefeitura de Itaiópolis informou que tomou conhecimento da Operação “Pão e Circo” por meio da divulgação realizada pelo MPSC. O município afirmou que, até o momento, não foi formalmente chamado a prestar informações na investigação e que não houve diligências ou cumprimento de medidas nas repartições públicas municipais. A administração reforçou o compromisso com a transparência e declarou estar à disposição para prestar eventuais esclarecimentos.
Prefeitura de Três Barras
A Prefeitura de Três Barras confirmou que recebeu equipes do GAECO durante a manhã desta terça-feira. Segundo o município, foram disponibilizados documentos e informações solicitadas pelos investigadores.
A administração afirmou que acompanha o andamento da operação e que seguirá colaborando com as autoridades, destacando o compromisso com a transparência e os princípios da administração pública.
Operação “Pão e Circo”
De acordo com o MPSC, além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça determinou a indisponibilidade de aproximadamente R$ 9 milhões em bens e valores dos investigados. Também foram aplicadas medidas cautelares, como afastamento de funções públicas, restrições para contratação com o poder público, proibição de acesso a repartições municipais e limitações de contato entre investigados e testemunhas.
Os materiais apreendidos serão encaminhados à Polícia Científica para perícia e análise das equipes responsáveis pela investigação. A investigação tramita sob sigilo e novas informações devem ser divulgadas após eventual liberação dos autos pela Justiça.
O nome “Pão e Circo” faz referência à política adotada pelos imperadores romanos, que utilizavam a distribuição de alimentos e a realização de espetáculos públicos como forma de controlar a população e desviar a atenção de problemas sociais e políticos.






