
O sensor mede a glicose a cada 60 segundos e permite o acompanhamento contínuo da glicemia 24 horas por dia, sem a necessidade de furar o dedo a cada medição. Aplicado no braço e com duração média de 15 dias, o dispositivo também emite alertas quando os níveis de glicose sobem ou caem rapidamente — situação comum durante a noite e que pode levar a quadros graves se não for identificada a tempo. Trata-se do Sensor de Glicose Smart MedLevensohn (ou Smart CGM), um sistema de Monitoramento Contínuo de Glicose que permite acompanhar os níveis em tempo real diretamente pelo celular.
Como o projeto foi viabilizado
A proposta começou a ganhar forma a partir da mobilização da Associação Convivendo com Diabéticos Tipo 1 de Rio Negrinho, que nasceu da necessidade de reunir famílias, compartilhar informações e orientar outras pessoas que enfrentam a mesma realidade do diabetes tipo 1 no município.
Paralelamente, foi aberta a inscrição para o Fundo da Infância e Adolescência (FIA), o que motivou a elaboração de um projeto para captação de recursos.
Com a apresentação da proposta na Câmara de Vereadores de Rio Negrinho, o tema passou a ser discutido oficialmente. O vereador Rafael Schroeder solicitou o levantamento do número de pacientes com diabetes tipo 1 e buscou apoio junto ao deputado Maurício Pexer, que destinou emenda parlamentar de R$ 150 mil em outubro de 2025 para a compra dos sensores.
Em fevereiro deste ano, a ação foi incluída no Plano Municipal de Saúde. Em março, foram realizados os orçamentos e a documentação necessária para aquisição dos equipamentos.
A emenda parlamentar foi viabilizada pelo vereador Rafael Schroeder e, à época, pelo então vereador Rodrigo dos Santos (Dido). O município de Rio Negrinho foi a segunda cidade do estado a adotar a iniciativa.
Testes antes da compra em maior escala
Antes da implementação, três sensores do modelo Smart 2.0 foram adquiridos para avaliação. Os testes envolveram uma criança de 4 anos, uma adolescente de 16 anos e um pediatra, todos com diabetes tipo 1.
O Nossas Notícias conversou com Fernanda de Almeida Alexi Santos, da coordenação do projeto, que explicou como foi feita a validação da tecnologia. Segundo ela, os testes compararam semanalmente curvas glicêmicas, alarmes e precisão das medições com sensores já utilizados no mercado, garantindo segurança antes da compra em maior quantidade.
Atualmente, 16 crianças e adolescentes estão cadastrados e serão beneficiados nesta primeira etapa.
Mais controle e menos internações
De acordo com a coordenação do projeto, a expectativa é reduzir internações por alterações de glicemia e oferecer mais segurança no dia a dia, especialmente no período noturno, quando episódios de hipoglicemia são mais comuns. O sensor pode se conectar a diversos dispositivos, permitindo que pais, responsáveis e até professores acompanhem as informações em tempo real.
Os recursos atuais devem garantir o fornecimento por cerca de um a um ano e meio, com a possibilidade de busca por novas fontes de financiamento para continuidade da iniciativa.


















