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Ministério Público de Santa Catarina lança Mapa do Feminicídio e revela dados alarmantes no estado

Ministério Público de Santa Catarina lança Mapa do Feminicídio e revela dados alarmantes no estado

Ministério Público de Santa Catarina lança Mapa do Feminicídio e revela dados alarmantes no estado


SANTA CATARINA. O Ministério Público lançou nesta segunda-feira (30) o Mapa do Feminicídio, um levantamento inédito que detalha como, onde e em quais circunstâncias mulheres estão sendo mortas no estado.

A ferramenta cruza dados oficiais, análises qualitativas e técnicas de ciência de dados para identificar padrões, fatores de risco e lacunas no enfrentamento da violência de gênero. O estudo não se limitou apenas aos casos já classificados como feminicídio, mas analisou todas as mortes violentas de mulheres, ampliando a precisão dos resultados.

Durante a apresentação, a procuradora-geral de Justiça, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, fez um alerta direto sobre a responsabilidade das instituições diante dos números.

“Hoje é dia de desconforto. A ideia é que nenhuma instituição saia daqui feliz consigo própria. Estes dados nos fazem olhar no espelho e vermos onde estamos errando e onde podemos ser melhores”, afirmou.

O coordenador do Escritório de Ciências de Dados Criminais, Simão Baran Junior, explicou que o trabalho envolveu leitura manual de processos, análise de depoimentos e integração de bases oficiais. Segundo ele, a escolha de ampliar o universo analisado evita que casos fiquem fora das estatísticas.

Já a promotora Chimelly Louise de Resenes Marcon, do Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT), destacou que o feminicídio vai além dos casos dentro do ambiente familiar, incluindo situações de violência sexual e desigualdade de gênero que nem sempre são corretamente identificadas pelo sistema de Justiça.

Um dos dados mais impactantes do levantamento mostra que 71% dos casos são classificados como feminicídios íntimos, ou seja, cometidos por companheiros ou ex-companheiros.

Além disso, 68,9% das vítimas já tinham histórico de violência anterior. Em muitos casos, porém, essas agressões não chegaram a ser registradas em serviços de saúde, assistência social ou segurança pública.

“A pergunta que os dados nos devolvem é: onde estavam essas vítimas antes do desfecho letal?”, questionou Chimelly, ao destacar que a subnotificação impede ações preventivas mais eficazes.

O estudo também identificou os chamados “corredores do feminicídio” em Santa Catarina. Um deles está localizado no Oeste, entre Xanxerê e São Miguel do Oeste. Outro se estende entre Lages e Curitibanos.

Apesar de cidades maiores concentrarem números absolutos mais altos, o risco proporcional de feminicídio é maior em municípios menores, com menor densidade populacional.

O levantamento também evidencia que o feminicídio atinge com mais intensidade mulheres em situação de vulnerabilidade social. A maioria das vítimas está na base da pirâmide econômica, com renda familiar de até cinco salários mínimos, baixa escolaridade e inserção precária no mercado de trabalho, muitas vezes sem vínculo formal.

Durante o evento, foi firmado um protocolo de intenções entre o MPSC, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina, o Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina e a organization, reforçando a atuação conjunta no enfrentamento ao feminicídio.

Autoridades também destacaram a importância do levantamento. A vice-governadora Marilisa Boehm ressaltou o uso dos dados para aprimorar políticas públicas, enquanto representantes do Judiciário, Legislativo e forças de segurança reforçaram que o combate à violência contra a mulher depende de integração entre instituições.

O Mapa do Feminicídio e os dados completos estão disponíveis ao público e devem servir como base para ações mais efetivas de prevenção, acolhimento às vítimas e responsabilização dos agressores em todo o estado.

Acesse ao portal clicando aqui.

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