
SANTA CATARINA. O sistema prisional de ampliou ações voltadas ao combate à violência contra a mulher por meio de projetos direcionados a detentos. As iniciativas buscam incentivar reflexão, responsabilização e mudança de comportamento, com o objetivo de reduzir a reincidência em crimes de violência doméstica e de gênero.
As atividades passam a integrar o programa estadual Catarina Por Elas, que reúne políticas públicas voltadas à proteção das mulheres no estado.
No Presídio Regional de Maravilha, no Oeste catarinense, funciona o Grupo Reflexivo para Autores de Violência Doméstica, voltado a homens investigados ou condenados por esse tipo de crime. Durante os encontros são discutidos temas como ciclo da violência, relações de poder, impactos da agressão na família, medidas protetivas e consequências jurídicas das agressões.
A Defensoria Pública do Estado de Santa Catarina e a Polícia Militar, por meio do programa Rede Catarina de Proteção à Mulher, participam das reuniões para ampliar a compreensão dos detentos sobre os efeitos legais e sociais da violência.
Na mesma unidade também funciona o Projeto Renovar, voltado a presos condenados por crimes de violência sexual. O trabalho aborda autocontrole, responsabilização individual e construção de novos projetos de vida.
Outras unidades prisionais catarinenses também desenvolvem ações semelhantes:
- Penitenciária Industrial de São Cristóvão do Sul: grupos reflexivos para autores de violência em parceria com o Judiciário.
- Presídio Regional de Lages: projeto de justiça restaurativa com círculos de construção de paz.
- Presídio Regional de Tijucas: oficinas da campanha Agosto Lilás, com temas como cultura de paz e comunicação não violenta.
- Unidades em Joinville e São Francisco do Sul: palestras educativas sobre respeito, igualdade de gênero e prevenção da violência.
De acordo com a Secretaria de Justiça e Reintegração Social de Santa Catarina, o projeto começou como experiência piloto em 2025 e apresentou resultados positivos, o que levou à ampliação das atividades. Os encontros abordam temas ligados à violência de gênero, estereótipos sociais e comunicação não violenta.
Mesmo com as iniciativas, a violência contra a mulher continua sendo um problema grave em Santa Catarina. Nos primeiros meses de 2026, o estado já registrou oito casos de feminicídio, incluindo quatro apenas nos primeiros dias de janeiro.
Nos últimos anos, os números também foram elevados:
- 2025: 52
- 2024: 51
- 2023: 57
- 2022: 57
Segundo autoridades, muitos desses crimes estão ligados a histórico de violência doméstica, inconformismo com o fim de relacionamentos e descumprimento de medidas protetivas.
Onde denunciar
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo telefone Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, de forma gratuita e sigilosa. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.





