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Vacina “anti-crack” da UFMG avança e pode iniciar testes em humanos nos próximos anos

Vacina “anti-crack” da UFMG avança e pode iniciar testes em humanos nos próximos anos

Vacina “anti-crack” da UFMG avança e pode iniciar testes em humanos nos próximos anos

BRASIL. A vacina terapêutica Calixcoca, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), avançou mais uma etapa e se aproxima do início dos testes clínicos em humanos. O imunizante é voltado ao tratamento da dependência de cocaína e crack e já concluiu a fase pré-clínica, com resultados considerados promissores em estudos laboratoriais e em animais.

Como funciona

Diferentemente das vacinas tradicionais, a Calixcoca não tem caráter preventivo contra infecções. Ela atua estimulando o sistema imunológico a produzir anticorpos que se ligam às moléculas de cocaína na corrente sanguínea. Ao se unirem à droga, esses anticorpos aumentam seu tamanho, impedindo que atravesse a barreira hematoencefálica e chegue ao cérebro, bloqueando os efeitos de euforia e recompensa.

Previsão para testes em humanos

A equipe da UFMG finaliza a documentação para submeter o projeto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Após a autorização, poderá ser iniciada a fase 1 dos ensaios clínicos, que avaliará segurança, dosagem e possíveis efeitos adversos em voluntários.

De acordo com informações do projeto, a previsão é que os primeiros testes em humanos ocorram em até cerca de dois anos, possivelmente entre o fim de 2027 e 2028, dependendo da aprovação regulatória, organização dos centros de pesquisa e disponibilidade de recursos.

Investimentos e reconhecimento

Em 2023, o Governo de Minas Gerais anunciou investimento de R$ 10 milhões na pesquisa, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). A iniciativa também recebeu reconhecimento internacional ao vencer o Prêmio Euro Inovação na Saúde, que destinou 500 mil euros para o desenvolvimento da vacina.

Potencial impacto

Atualmente, não existem medicamentos aprovados especificamente para bloquear os efeitos da cocaína ou do crack no organismo. Os tratamentos disponíveis concentram-se em abordagens psicossociais e no manejo de sintomas associados à abstinência.

Os pesquisadores avaliam que, caso os testes clínicos confirmem a eficácia e a segurança, a Calixcoca poderá se tornar uma ferramenta complementar importante no tratamento da dependência química, auxiliando na prevenção de recaídas e na reinserção social de pacientes em acompanhamento.

Com informações da UFMG.

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