
RIO NEGRINHO. Cercado de familiares e amigos, o professor Celso Crispim Carvalho comemorou mais um aniversário na tarde deste domingo (18) e a convite, compartilhamos junto esse momento. Figura lendária e muito querida na cidade, ele marcou gerações com sua personalidade curiosa, criativa e de inteligência aguçada.
Nascido em 1950, é casado com a também professora, Marianna Carvalho, eterna companheira, alma gêmea, parceira de inúmeras criações, projetos e viagens recheadas de aventuras por vários lugares do Brasil e da América Latina. Eles tem quatro filhos e dez netos.
Em vários anos de atuação na educação, se tornou inesquecível pelas aulas dinâmicas, onde encantou seus alunos com uma didática inovadora, usando conceitos de parapsicologia, números de mágica, serpentes reais e sem veneno, juntamente com inúmeros trabalhos diferenciados e desafiadores.
Já aposentado, ele continua na ativa, atendendo muitas pessoas com suas orientações na área da parapsicologia e compartilhando com todos suas histórias, lições e impressões da vida.
Sempre curioso, tem diversas formações, está sempre atualizado sobre diferentes assuntos e nestes 76 anos, com certeza, viveu inúmeras vidas, aproveitando cada momento, em todas as suas possibilidades.
Há dois anos escrevi que conviver com o professor Celso é ter a certeza de que a vida, com todos os seus desafios, é PLENA, RICA e abundante. É lembrar que sim, temos o poder de viver o que queremos, da forma que queremos. É ter a certeza que somos capazes e que somos muito mais e essa minha descrição fica cada vez mais clara a cada vez que encontro ele e com a Marianna.
Feliz aniversário!
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Em 2017, professor Celso foi homenageado pela Câmara de Vereadores, que lhe concedeu uma Moção de Aplauso, por iniciativa do vereador Luciano Alves e aprovação de todos os demais parlamentares.
Na cerimônia, foi lido o texto do professor doutor e historiador José Kormann, que segue abaixo:
Uma das figuras mais admiráveis de Rio Negrinho, Celso Crispim Carvalho é educador, historiador, encantador de mentes e domador de sentimentos. Esses são apenas pequenos sinônimos de um personagem que a cidade tem a honra de ter como um dos seus.
Nasceu em Rio Negrinho em 18 de janeiro de 1950. Seu pai era sapateiro e foi quem escolheu o nome para ele. Celso, porque quem o batizou foi o Padre Celso Michels, um grande líder comunitário na época; Crispim, porque o santo padroeiro dos sapateiros é São Crispim e Carvalho, o sobrenome.
É casado com Mariana Carvalho, Pós Graduada em Artes Visuais, com quem tem quatro filhos dos quais muito se orgulha: Virgínia, Edson, Celso Júnior e Jean.
Sua primeira proeza fora de casa foi no seu primeiro dia de aula, em 1957, no antigo Educandário Santa Terezinha, comandado por freiras, hoje Colégio São José. A irmã Umbelina, uma freira de porte avantajado, de repente apareceu obstruindo todo o vão da porta e cumprimentou os seus alunos com um sonoro bom dia com voz grave. Celso, imediatamente associou aquela figura, que nunca tinha visto, a um grande e feroz dinossauro.
Não teve dúvidas, apavorado, imediatamente e com a velocidade de um gato, fugiu passando pelo único espaço que restara no vão da porta: por baixo do hábito dela. Escondeu-se numa estreita abertura entre duas pilhas de tijolos, nos fundos do pátio do colégio. Só foi descoberto depois de uma hora, quando as irmãs chamaram sua mãe, que conhecia bem seus hábitos e revelou o esconderijo.
Mais tarde, transferido para o Grupo Escolar Marta Tavares, completou o curso Primário. Concluiu o ginásio, com destaque, no Colégio São José. Os estudos secundários de Magistério foram no Colégio Roberto Grant, em São Bento do Sul; o 2° grau, em Contabilidade foi no Colégio São José, também em Rio Negrinho; a faculdade de Pedagogia foi cursada em Caçador (SC); a primeira Pós Graduação, em Psicologia Educacional, foi no Rio de Janeiro (RJ); a segunda Pós Graduação, em Pedagogia Industrial, equivalente a Mestrado, também foi no Rio de Janeiro.
Durante sua vida estudantil, Celso fez mais de trinta cursos paralelos e inerentes à carreira no Magistério, como teatro, pintura, desenho, parcial em arquitetura, música, mágica, canto coral, filmagem, instrumental, datilografia, telegrafia, básico de engenharia, geometria, eletrônica, ofidismo no Instituto Butantã em São Paulo, além de vários cursos pedagógicos relacionados à didática escolar e tantos outros.
Em sua vida exerceu muitas funções diferenciadas como: tratador de porcos, puxador de bebida para o bar do seu pai, balconista no mesmo bar e estilista de modas – criava modelos de roupas – pois sua mãe era costureira.
Foi telegrafista, operário em fábrica de móveis, trabalhou no escritório da extinta Móveis Cimo, foi desenhista autônomo de projetos de engenharia, foi guitarrista em circo, professor de música, entalhador em móveis, diretor de teatro, diretor de grupos de jovens da Igreja Santo Antônio, presidente da Congregação Mariana da Paróquia, mágico, teatrólogo, excursionista, palestrante, fundou o Grupo Teatro Show, foi um dos fundadores do primeiro conjunto de guitarras de Rio Negrinho – “Os Temíveis” – , formou corais de cantos infantis e corais adultos, fundou o “Conjunto Musical Ocarina”, foi radialista apresentador de programas, compôs várias peças de teatro, poesias e músicas e é cinegrafista desde 1989.
Ingressou na carreira do magistério em 1973 como professor. Ministrou aulas em Escolas Isoladas nos municípios de Rio Negrinho e Mafra; foi professor na Escola Lucinda Maros Pscheidt; no ginásio e no segundo grau do Colégio São José; no Mobral e na Educação Integrada no interior do município, foi professor nas Escolas Isoladas de Colônia Olsen e Rio Casa de Pedra; no Colégio Manuel da Nóbrega, na Escola Aurora Siqueira Jablonski e em todas as escolas municipais como professor de Artes, com revezamento constante de uma para outra. Foi diretor adjunto da Escola Marta Tavares, conselheiro psicológico nas escolas municipais, palestrou em várias cidades sobre eletricidade, eletrônica, arte, procedimentos didáticos, música e vários outros temas e agora, depois de mais 40 anos no Magistério, é professor aposentado.
No campo do esporte foi jogador de futebol como goleiro em dois dos principais times de futebol da cidade. Praticou várias modalidades esportivas, inclusive, halterofilismo, chegando a levantar 110 quilos de pesos acima da cabeça. Apresentou-se, com sucesso, em televisão como violonista. Como mágico conquistou o primeiro lugar no estado de Santa Catarina através do Emobresc, competindo com mais de 5O participantes.
Inventou dezenas de aparelhos eletrônicos e mecânicos os quais nunca patenteou. Um deles foi um detector de umidade que, colocado nas fraldas do seu primeiro bebê, avisava com sinal sonoro quando a criança fazia xixi, alertando, assim, sua mãe que tomava providências para que a filha ficasse confortável.
Viajante inveterado, visitou todos os países da América do Sul, inclusive o Pólo Sul e alguns países da América Central e do Caribe, menos o Suriname. Suas viagens renderam-lhe muita experiência em várias áreas da ação humana, como, por exemplo, na Arquitetura que o inspirou, juntamente com sua esposa Mariana, a desenvolver o projeto artístico engenhoso e arquitetônico da casa onde moram.
A estátua do Cristo Redentor no alto da torre gótica da sua casa também foi idealizada e construída por ele e sua esposa.
Foi, na infância, o “terror da vizinhança” com suas peripécias mirabolantes na Rua do Sapo, onde uma vez derrubou uma patente – banheiro de madeira – numa valeta juntamente com o proprietário de uma serraria que estava dentro dela. Aterrorizou seu tio medroso com um esqueleto de papelão, que amarrado a um fio, se debatia à noite na janela do quarto da cama dele e, dentre inúmeras malandragens de criança, quebrou a janela do cartório com um pelotaço de estilingue que acertou em cheio a testa do escriturário, sr. Pedro Jablonski.
Executa 22 instrumentos musicais. Celso, certa vez, no campo, a tocar bandolim, atraiu bois e vacas que, curiosos, se aproximaram para ouvir a música. Depois, uma vaca “apaixonada” o seguia por todos os lugares. Levou seus alunos a passear de avião sobre Rio Negrinho como aula prática de reconhecimento topográfico. Durante vários anos, em novembro, levava seus alunos a passear de barco na Baía da Babitonga, subiu montanhas e passeou em belas ilhas catarinenses e paranaenses com seus alunos.
Em certa oportunidade, encheu uma Kombi com seus quadros de paisagens pintadas a óleo juntamente com Mariana e vendeu-os todos numa feira da Santur em Balneário Camboriú, depois gastou todo o dinheiro em hotéis de luxo só prá ver como era a vida de turista rico.
Enquanto professor enternecia-se com a pobreza dos seus alunos e, por vários anos consecutivos, criou e fabricou brinquedos de madeira e, com ajuda de amigos, os distribuiu gratuitamente aos mais necessitados de todas as escolas de Rio Negrinho.
Chegou a presentear 700 crianças em cada Natal porque achava que fora agraciado com o sorriso da vida e com o sol sempre a brilhar, então, outros também mereciam pelo menos alguns lampejos dessa graça. Sua Didática Pedagógica, baseada em grandes autores, visava o aluno no futuro sempre à frente da sua época, por isso nunca cumpriu à risca a grade escolar imposta.
Mais tarde comprovou a eficácia de tais métodos. Incutia nos alunos uma educação equilibrada através de contos e histórias, pois cada uma continha uma forte e profunda lição de vida.
Ele sabe que “um professor, antes de ser um passador de matéria escolar, deve ser um passador de esperança”. Estes são alguns dos aspectos que compõem a história do professor Celso Crispim Carvalho.








