
SÃO BENTO DO SUL. Para muitas pessoas, fogos de artifício representam celebração, mas para cães e gatos o barulho pode significar medo intenso, sofrimento e até risco à vida.
Para esclarecer mais sobre esse assunto, entrevistamos a médica veterinária Audrey Tiene, que explicou à reportagem aqui do Nossas Notícias que os animais possuem audição muito mais sensível do que a humana, fazendo com que sons altos, imprevisíveis e repetitivos sejam interpretados pelo cérebro como uma ameaça real. Essa reação aciona o sistema de “luta ou fuga”, levando o pet a um estado de pânico que vai além de um simples susto.
De acordo com a profissional, o medo dos fogos pode provocar tremores, vocalização excessiva, salivação, tentativas de fuga, quedas e acidentes, além de automutilação, ferimentos, taquicardia, aumento da pressão arterial e crises severas de ansiedade.
“Em situações extremas, há risco de colapso cardiovascular, especialmente em animais idosos, cardiopatas, epilépticos ou com histórico de ansiedade, que exigem atenção redobrada dos tutores”, pontuou.
Como prevenir
Medidas preventivas, como manter o animal em ambiente fechado e seguro, reduzir estímulos sonoros, fechar portas e janelas e oferecer um local onde o pet se sinta protegido, ajudam a minimizar o impacto do barulho.
No entanto, a veterinária ressalta que essas estratégias nem sempre são suficientes, principalmente em animais que já apresentam ansiedade estabelecida.
“O tratamento ideal a longo prazo é a dessensibilização comportamental, um trabalho gradual que ensina o animal a tolerar os sons, mas que exige orientação profissional, constância e meses para apresentar resultados consistentes”, citou.
Biscoitos calmantes são aliados em situações pontuais
Em situações pontuais ou eventos imprevisíveis, pode ser necessário apoio adicional. Nesse contexto, ganham destaque os biscoitos calmantes manipulados com Trazodona, indicados para auxiliar no controle da ansiedade relacionada aos fogos de artifício.
“A substância atua no sistema nervoso central, promovendo efeito calmante e relaxante, ajudando o animal a enfrentar o estímulo estressante com mais conforto e segurança”, ressaltou a profissional.
Uso controlado
A veterinária reforçou também que o uso desses biscoitos deve ser sempre feito sob orientação profissional, associado a medidas ambientais e preventivas, funcionando como apoio em momentos críticos.
Segundo ela, cuidar do medo também é cuidar da saúde, já que a ansiedade crônica compromete diretamente a qualidade de vida dos pets.
“Com planejamento, prevenção e abordagem correta, é possível reduzir o sofrimento dos animais e garantir mais bem-estar mesmo em períodos de barulho intenso”, finalizou.





