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Após confirmação de contaminação, frigorífico de Itaiópolis ganha liberação temporária para operar

Após confirmação de contaminação, frigorífico de Itaiópolis ganha liberação temporária para operar

Após confirmação de contaminação, frigorífico de Itaiópolis ganha liberação temporária para operar


O frigorífico sediado em Itaiópolis, recebeu autorização judicial para retomar, por 40 dias, as atividades do abatedouro. A decisão, emitida pela 2ª Vara Cível da Comarca de Mafra, suspende parcialmente a liminar que havia paralisado o funcionamento da unidade, investigada por lançar esgoto industrial não tratado no rio São Lourenço.

O período autorizado é considerado suficiente para o abate de um lote de 7,5 milhões de aves alojadas em granjas da região.

A Justiça também determinou que a empresa apresente, no prazo de 15 dias, um plano de ação detalhado com alternativas técnicas, prazos e cronograma para resolver de forma definitiva o lançamento irregular de efluentes no curso hídrico. A determinação tem como base uma manifestação do Instituto do Meio Ambiente (IMA) nos autos n. 5006087-41.2025.8.24.0041.

Contaminação confirmada e multa de R$ 1 milhão por irregularidade

A suspensão inicial das atividades havia sido concedida após pedido do Ministério Público de Santa Catarina, apoiado em laudo da Polícia Militar Ambiental. O documento apontou intensa proliferação de macrófitas – plantas aquáticas associadas ao excesso de nutrientes como nitrogênio e fósforo – formando um “tapete verde” sobre o reservatório da Usina São Lourenço.

As investigações confirmaram que o frigorífico despejou efluentes antes da contaminação.

Pela nova decisão, cada laudo técnico que identificar falta de redução nos níveis de poluição resultará em multa de R$ 1 milhão. Após os 40 dias de funcionamento autorizados, a suspensão volta a valer.

Outras empresas também são responsabilizadas

Além do frigorífico, a Justiça determinou a suspensão das atividades da empresa responsável pelo aterro sanitário de Mafra. Laudos identificaram que o local lançava efluente com teor de nitrogênio amoniacal de 674,52 mg/L — mais de 30 vezes acima do limite de 20 mg/L permitido. Nesse caso, a multa por descumprimento é de R$ 100 mil por laudo.

A concessionária responsável pelo reservatório da Usina São Lourenço também recebeu ordem judicial: terá 30 dias para retirar mecanicamente toda a planta invasora Salvinia molesta, sob pena de multa de R$ 100 mil. A espécie, altamente proliferativa, causa eutrofização e pode levar à morte de peixes e outros organismos aquáticos.

As empresas envolvidas ainda devem apresentar, em até 30 dias, um plano emergencial de contingência ambiental, com metas, cronograma, registros fotográficos e georreferenciados, além da comprovação de licenças e análises de fósforo total na entrada e saída das estações de tratamento.

Curtume é notificado preventivamente

Um curtume em fase de instalação às margens da BR-116 também entrou no radar da investigação. A empresa foi notificada a apresentar, em 30 dias, um estudo da capacidade de suporte do corpo hídrico receptor, de modo a adequar seu futuro efluente às normas ambientais.

Fiscalização continua

O IMA e a Polícia Militar Ambiental foram incumbidos de realizar fiscalizações conjuntas, com análises laboratoriais a cada 30 dias, para verificar o cumprimento das medidas impostas pelo Judiciário.

Como começou

A investigação teve início em agosto, quando o frigorífico deixou de apresentar análises de água solicitadas pela Polícia Militar Ambiental nos pontos de lançamento de resíduos, tanto a montante quanto a jusante do rio. A empresa também não registrou a movimentação de resíduos e, em 25 de agosto, foi notificada a incluir o parâmetro de fósforo total em seu monitoramento.

A presença massiva da Salvinia molesta é um indicativo de forte poluição e inviabiliza o uso da água por humanos e animais devido à baixa oxigenação causada pela densa cobertura vegetal.

Após confirmação de contaminação, frigorífico de Itaiópolis ganha liberação temporária para operar

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