
SÃO BENTO DO SUL. Diante dos desafios de competitividade global enfrentados pelo setor moveleiro, acentuados pelas recentes barreiras comerciais, o polo de São Bento do Sul está sediando a primeira imersão da Academia Fiesc de Negócios. A proposta é transformar o impacto econômico em oportunidade: criar novos produtos, abrir mercados e reposicionar o setor catarinense no cenário global.
Nos dias 21 e 22 de outubro, a sede do Sindusmobil – Sindicato das Indústrias Moveleiras – recebeu representantes de dez indústrias moveleiras de São Bento do Sul, Campo Alegre e Rio Negrinho. Durante o encontro, as empresas participaram de uma jornada de conhecimento conduzida por Arnaldo Hebling, do Studio 566 Design e curador da imersão, que abordou temas como design, valor de marca e produto. Técnicos do Observatório FIESC também compartilharam informações sobre o panorama do mercado mundial.
De acordo com o diretor da Móveis Paulo, de São Bento do Sul, Djoni Kurowsky, o foco está em oferecer produtos diferenciados para avançar no mercado. “Acreditamos que podemos exportar o design brasileiro, adequado ao país que se pretende atender. Com esse projeto, estamos abrindo horizontes para entrar em novos nichos de mercado”, destacou.
O design é o eixo central da estratégia da imersão, por ser uma das principais vantagens competitivas da indústria. Segundo dados da ApexBrasil, empresas que investem em design aumentam em até 25% o valor percebido de seus produtos e ampliam em média 20% as exportações.
Para Leila Tenfen Vantovsky, diretora da Móveis Catfor, de Rio Negrinho, a iniciativa é essencial para fortalecer o setor. “Essa imersão é fundamental para criarmos produtos com design agregado, buscando atender aos mercados interno e externo.” A diretora da Gromóveis, de Campo Alegre, Celiane Grossl Minikovski, também destacou os benefícios do projeto. “Está contribuindo para adequar nossos produtos à exportação e ampliar nossa fatia no mercado brasileiro.”
Academia Fiesc de Negócios
A imersão faz parte da Academia Fiesc de Negócios, que inclui uma ampla estratégia comercial. Antes do encontro desta semana, foi realizado um mapeamento individual sobre a realidade e os desafios de cada empresa participante.
O próximo passo será a visita presencial em cada indústria, com a definição de metas de desenvolvimento e a criação de novos produtos ou redesenhos. O programa prevê a elaboração de três projetos por empresa, alinhados ao mercado e ao horizonte projetado, com assessoria individual, estudos de novos mercados e apoio técnico e de marketing.
Entre as empresas participantes estão: Ativa Indústria de Móveis, Inter Link do Brasil, Móveis Grossl, Móveis Paulo, Móveis Serraltensse, Móveis Weihermann (São Bento do Sul), Gromóveis (Campo Alegre), Herli Móveis, Móveis Catfor e Móveis Quater (Rio Negrinho).
Polo Exportador
O polo moveleiro de São Bento do Sul, que engloba também os municípios de Campo Alegre e Rio Negrinho, foi escolhido para iniciar a imersão por ser o maior exportador nacional de móveis e sentir diretamente o impacto das tarifas impostas pelo mercado americano.
Segundo o Observatório Fiesc, entre janeiro e setembro deste ano, as indústrias da região exportaram US$ 63,574 milhões. Os Estados Unidos foram o principal destino, respondendo por 50,11% desse volume. A região conta com 312 indústrias de móveis e 86 de madeira, totalizando 398 empresas que empregam mais de oito mil trabalhadores.

