
SAO BENTO DO SUL. Neste 3 de agosto, Dia do Capoeirista, o Nossas Notícias conversou com o professor Matheus Balan, conhecido no universo da capoeira como “Professor Balan”. Aos 27 anos, ele é casado, pai de dois filhos, formado em Educação Física e dedica-se com entusiasmo à capoeira há uma década. Há cerca de dois anos, conquistou o título de professor na arte que transformou sua vida.
O interesse pela capoeira surgiu ainda na adolescência, aos 17 anos, durante um trabalho escolar sobre a Bahia. Foi quando, junto com o amigo Rodrigo Andrei Paulino — hoje conhecido como “Professor Gadeia” — decidiu procurar um local para treinar. Ambos encontraram no bairro Brasília, na Associação de Moradores da Vila São Paulo, as aulas do Mestre João Fernandes, da Capoeira São Bento.
“Foi ali que tudo começou”, contou.
“A capoeira moldou minha disciplina, meu respeito pelas pessoas e minha autoestima. Através dela conheci minha esposa, Djeiny Muller Balan, que também se tornou professora – a ‘Professora Djeiny'”.
Mais do que uma prática corporal, Matheus vê na capoeira uma filosofia de vida.
“Ela representa resistência, é uma expressão cultural que nasceu da luta de um povo que enfrentou muito sofrimento. Mesmo com pouco reconhecimento, segue viva, se transformando e conquistando novas pessoas todos os dias. É comunicação por meio do corpo, é identidade e liberdade”.
Contemplado em São Bento do Sul
Em 2024, o grupo liderado por Matheus teve um projeto contemplado no edital de Apoio à Cultura, da Prefeitura de São Bento do Sul. Intitulada “Capoeira Cultura em Movimento”, a iniciativa oferece aulas gratuitas de capoeira para a comunidade, reunindo atualmente cerca de 20 alunos. Os interessados em participar podem entrar em contato pelo número (47) 99968-8022.
Transformações reais na vida dos alunos
O projeto tem gerado frutos que vão muito além do aprendizado físico, o que comprovam os depoimentos de pais e alunos com quem conversamos.
Paulo Fellipe Cipriani, de 28 anos, conta que já havia treinado com Balan em uma academia e viu no projeto a oportunidade de retornar à capoeira.
“Estou desde o início do projeto. Nosso grupo é como uma família, muito unido. A capoeira me ajuda a melhorar pessoalmente, não só nas habilidades físicas, mas nas competências sociais, pelos valores e a cultura que carrega.”
O impacto também é percebido por quem acompanha de perto o desenvolvimento dos alunos, como o pai do pequeno Igor Alves da Luz, de 11 anos. Jhon Marlon Alves da Luz, pai do garoto, se emociona ao ver a transformação do filho.
“A capoeira ajudou ele a ter mais responsabilidade. Ele gosta muito, fala que quer ser mestre de capoeira um dia. Tem melhorado bastante desde que começou, e tem grande admiração pelo professor Balan e pelo mestre João. Ele se sente acolhido, tem interesse pelas músicas, pela cultura. Sonha em ter seu próprio berimbau.”
Outro depoimento comovente vem de Rudinei de Moura, pai de Leonan Rodrigues de Moura, de 8 anos, que treina capoeira há seis meses.
“O Leonan se dedica mais aos treinos em casa, deixou de lado o celular e a TV. Ele está evoluindo na parte física e criou um verdadeiro amor pelo esporte. A capoeira trouxe mais foco e energia para o dia a dia dele”.
Igor iniciou na capoeira em novembro de 2023 com o mestre João, e em 2024 passou a treinar com o Professor Balan na academia GH e, posteriormente, no projeto social, do qual participa desde o primeiro dia.
Um pouco sobre a história da capoeira
A capoeira surgiu no Brasil durante o período colonial, desenvolvida por africanos escravizados como forma de resistência cultural e física à opressão. Misturando elementos de dança, luta, música e expressão corporal, ela era praticada de forma disfarçada para evitar punições.
Com o tempo, se espalhou pelo país, atravessando gerações e ganhando reconhecimento.
Em 2008, a roda de capoeira foi registrada como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).
Em 2014, recebeu também reconhecimento internacional pela UNESCO como patrimônio cultural imaterial da humanidade.













