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Trump impõe tarifa de 50% ao Brasil e gera crise diplomática; Haddad critica “ataque articulado por extremistas”

Trump impõe tarifa de 50% ao Brasil e gera crise diplomática; Haddad critica “ataque articulado por extremistas”

Trump impõe tarifa de 50% ao Brasil e gera crise diplomática; Haddad critica “ataque articulado por extremistas”

BRASIL. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quarta-feira (9) a imposição de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras enviadas aos EUA a partir de 01 de agosto. A medida, comunicada por meio de uma carta ao presidente Lula, gerou reações imediatas do governo brasileiro, de entidades do setor produtivo e de especialistas em comércio internacional.

As tarifas anunciadas por Trump variam entre 20% e 50% e atingem 22 países. O Brasil foi o mais afetado, com a alíquota máxima de 50%, superando Bangladesh (35%), Indonésia (32%) e Líbia (30%). A menor tarifa foi aplicada às Filipinas, com 20%. Entre os principais produtos brasileiros exportados aos EUA estão suco de laranja, máquinas e aeronaves, muitos deles produzidos em São Paulo, estado que, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, será diretamente impactado pela nova política tarifária.

Na correspondência oficial, Trump alegou que a decisão foi motivada por ações do Supremo Tribunal Federal (STF) contra plataformas digitais norte-americanas e pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentar articular um “golpe de Estado” em 2023. O presidente norte-americano classificou o processo como uma “vergonha internacional” e uma “caça às bruxas”, acusando o Brasil de atacar a liberdade de expressão de americanos. Trump afirmou ainda que as tarifas serão aplicadas a todas as exportações, inclusive aquelas que tentarem contornar as sanções com o auxílio de outros países.

Trump também justificou a medida como uma correção de um suposto “desequilíbrio histórico” na balança comercial entre os dois países. No entanto, dados do Ministério do Desenvolvimento indicam que, entre 2009 e 2025, os Estados Unidos acumularam superávit de cerca de US$ 90 bilhões nas trocas comerciais com o Brasil, enfraquecendo o argumento econômico da decisão.

Além disso, o governo norte-americano anunciou a abertura de uma investigação com base na Lei de Comércio dos EUA, que permite sanções unilaterais contra países considerados desleais. O foco seria o tratamento dado pelo Brasil às empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Trump também declarou que os países do Brics, Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul, poderão ser alvo de uma tarifa adicional de 10%, sob a alegação de que o bloco tenta enfraquecer o dólar como moeda de referência global.

Em resposta, o presidente Lula afirmou que o Brasil “não aceitará ser tutelado por ninguém” e defendeu a competência da Justiça brasileira para julgar os envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. Ele reforçou que todas as empresas, nacionais ou estrangeiras, devem respeitar a legislação brasileira. Lula também declarou que o país poderá adotar medidas equivalentes como represália aos EUA, com base na Lei de Reciprocidade Econômica, em caso de sanções unilaterais.

O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou a tarifa como um “ataque ao Brasil”, articulado por forças extremistas. Ele acusou setores da extrema-direita brasileira de colaborarem com o governo dos EUA para interferir no processo judicial contra Bolsonaro. Segundo Haddad, a retaliação afetará especialmente São Paulo, estado governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), apoiador de Bolsonaro.

Haddad também defendeu o multilateralismo e a diversificação das parcerias comerciais brasileiras. “O Brasil é grande demais para ser apêndice de qualquer bloco”, disse, ressaltando que o país seguirá buscando uma “reglobalização sustentável” e equilibrada.

Entidades da indústria e da agropecuária brasileiras manifestaram forte apreensão com a nova política tarifária. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que não há justificativa técnica para a decisão e alertou para o risco de perda de empregos. Lideranças do agronegócio também expressaram preocupação com a perda de competitividade no mercado americano. Haddad acrescentou que os setores produtivos estão “de cabelo em pé” e que o governo tentará resolver a crise por meio da diplomacia.

Trump impõe tarifa de 50% ao Brasil e gera crise diplomática; Haddad critica “ataque articulado por extremistas”

Trump impõe tarifa de 50% ao Brasil e gera crise diplomática; Haddad critica “ataque articulado por extremistas”

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