
SANTA CATARINA. O fator determinante para o acidente envolvendo um caminhão-tanque carregado com etanol, que explodiu e causou um incêndio de grandes proporções na BR-101, em Palhoça, na Grande Florianópolis, foi a perda de controle da direção pelo condutor após passar por um redutor de velocidade. A conclusão consta no laudo pericial da Polícia Rodoviária Federal (PRF), divulgado nesta quarta-feira (14). O caso ocorreu no dia 6 de abril, às 13h47, no km 233, região do Morro dos Cavalos, e resultou em sete pessoas feridas e 25 veículos incendiados.
De acordo com o laudo, embora não tenha sido possível inspecionar o cronotacógrafo — danificado pelas chamas —, câmeras de videomonitoramento mostraram que o caminhão trafegava a 57 km/h, dentro do limite da via, que é de 60 km/h. No entanto, o perito da PRF Carlos Possamai afirmou que a perda de dirigibilidade pode ter sido causada por fatores diversos, como falha mecânica, condição da pista ou imprudência do condutor.
Além disso, a perícia revelou que o motorista transportava uma passageira não auxiliar, em desacordo com as normas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para o transporte de produtos perigosos. O caminhão levava álcool etílico (etanol), substância altamente inflamável.
O motorista e sua esposa sofreram queimaduras e foram levados inicialmente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Sul, em Palhoça. Depois, foram transferidos ao Hospital Regional de São José. O teste de etilômetro feito com o condutor deu negativo para ingestão de álcool.
Além do casal, outras cinco pessoas se feriram no incêndio, totalizando sete vítimas. O local foi atendido por equipes da PRF, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Militar, SAMU, Instituto do Meio Ambiente (IMA), Secretaria de Obras de Palhoça e empresa AMBIPAR.
O laudo também destaca a demora da empresa AMBIPAR, contratada para o controle emergencial do produto inflamável, que chegou ao local 4h33min após o acidente e sem os equipamentos necessários para o transbordo do etanol. A limpeza da pista só começou à meia-noite com apoio do Corpo de Bombeiros. A rodovia permaneceu bloqueada por cerca de 16 horas e só foi liberada às 5h09 do dia seguinte.
Outro agravante foi um acidente anterior, cerca de 1 km antes do local da explosão, que causou congestionamento no sentido oposto. Os 21 carros e três carretas incendiadas estavam paradas nesse engarrafamento, o que contribuiu para o número elevado de veículos atingidos.
Após o combate ao incêndio, os veículos foram reposicionados na faixa de domínio da rodovia ou removidos para o pátio da PRF. Alguns só puderam ser identificados após o resfriamento das chamas. As vítimas têm direito ao Seguro DPVAT, conforme o relatório pericial.





