
RIO NEGRINHO. Em meio à urgência da crise climática e aos desafios enfrentados pela pauta ambiental no Brasil, uma representante de Rio Negrinho, Thais Buggenhagen, participou da 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente com uma missão clara: levar propostas transformadoras e lutar por um futuro mais sustentável.
Eleita como delegada intermunicipal, a jovem ativista integrou o seleto grupo de 40 representantes catarinenses na conferência realizada em Brasília, evento que reuniu especialistas, lideranças comunitárias, cientistas e representantes da sociedade civil de todo o país.
Ao Nossas Notícias, Thais contou que a caminhada até a capital federal, no entanto, foi marcada por obstáculos. A organização da etapa estadual sofreu com atrasos, incertezas sobre o custeio e dificuldades logísticas, o que quase inviabilizou a presença catarinense no evento nacional. “Mesmo diante da desorganização e da falta de prioridade dada ao meio ambiente em muitos setores da gestão pública, seguimos unidos e focados em nossa missão”, relatou a delegada.
A jornada começou ainda na madrugada de segunda-feira (5), com deslocamento por conta própria até o aeroporto em Florianópolis. O voo foi simbólico: o nascer do sol visto do avião parecia anunciar o início de uma transformação. Em Brasília, os participantes foram recepcionados com acolhimento e estrutura, o que contrastou com a etapa anterior.
A abertura do evento no CICB foi marcada por falas como a do cientista Carlos Nobre (ITA), que alertou para o avanço alarmante das mudanças climáticas, e da ministra Marina Silva, que acompanhou os delegados durante todo o encontro. “Foi a primeira vez que senti que nossas vozes realmente seriam ouvidas em nível nacional”, destacou a representante catarinense.
Organizados em cinco eixos temáticos — mitigação, adaptação, justiça climática, transformação ecológica e educação ambiental — os mais de mil delegados analisaram 2,6 mil propostas. Ao final, 100 diretrizes prioritárias foram escolhidas, sendo 10 delas integradas ao relatório final que será levado à COP 30, no Pará, em 2025.
Atuando no eixo de educação ambiental, a delegada de Rio Negrinho celebrou a aprovação de três propostas do grupo, além de moções relevantes como a criação do SUSA (Sistema Público de Proteção Animal) e a defesa da participação dos delegados na COP 30. “Essas conquistas mostram a força de quando diferentes regiões se unem por um bem maior”, afirmou.
A conferência também foi espaço de aprendizado cultural. Delegados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste compartilharam realidades distintas, expondo desigualdades e inspirando empatia. “A pluralidade do Brasil é sua maior força, e isso precisa ser refletido nas políticas públicas ambientais”, completou.
O encerramento do evento foi emocionante. O documento final foi entregue oficialmente à ministra Marina Silva com o compromisso de que as propostas seriam levadas à arena internacional. “Volto a Santa Catarina com esperança renovada e pronta para fortalecer a educação ambiental no nosso município”, disse a delegada, que já atua no projeto Saber Ambiental, responsável por formar mais de 1.200 jovens em sustentabilidade.
O convite agora é claro: unir poder público, setor privado e sociedade civil para ampliar esse impacto. “A luta pela justiça climática continua e é fortalecida sempre que caminhamos juntos”, finalizou.







