
RIO NEGRINHO. A Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Rio Negrinho (AMA) promove nesta sexta-feira, às 19 horas, na Câmara de Vereadores, um encontro gratuito sobre autismo, família e os desafios que fazem parte dessa realidade.
A atividade contará com a participação da advogada e mãe atípica Marcele Barabach, que propõe um momento de troca de experiências, compartilhamento e esclarecimento de dúvidas com as famílias.
Advogada desde 2013, Marcele tem trajetória dedicada ao Direito Sistêmico desde 2015 e é fundadora da Escola da Advocacia Moderna (EAM), voltada à capacitação de advogadas.
Como mãe de uma filha autista, ela também compartilha a experiência pessoal diante dos desafios, das dúvidas e dos aprendizados que acompanham o diagnóstico.
“Minha intenção não é fazer uma palestra de conhecimento de autismo, mas sim trocar, compartilhar, dividir experiências e responder perguntas”, explicou, em entrevista à reportagem aqui do Nossas Notícias.
Segundo ela, não há tópicos definidos, apresentações de slides ou material preparado para o encontro. A proposta é conversar de maneira aberta, a partir das experiências vividas e das questões levantadas pelos participantes.
“Desde que a maternidade atípica se fez presente, minha vida girou 360 graus”, relatou.
Marcele afirma que pretende falar sobre sua trajetória como mãe, abordando situações como negligências profissionais, diagnóstico tardio e o tempo de tratamento que, segundo ela, foi perdido pela filha, hoje com 22 anos, na busca por melhores condições de desenvolvimento e autonomia.
A advogada destaca a importância de identificar os sinais do autismo e buscar atendimento o quanto antes. Para ela, o tempo entre as primeiras suspeitas, a avaliação profissional, a emissão do laudo e o início do tratamento pode fazer diferença na vida da pessoa autista.
“Quanto mais a família demora para buscar, e os profissionais demoram para laudar e iniciar o tratamento, mais cérebro nossos filhos perdem. E, no autismo, tempo é cérebro. É uma corrida contra o tempo”, afirmou.
Marcele conta que percebeu sinais de que havia algo diferente com a filha quando ela tinha apenas dez dias de vida, especialmente porque deixou de dormir. Na época, porém, as situações eram atribuídas a fases do desenvolvimento infantil.
Mesmo com a busca por atendimento médico, inclusive com neurologistas, ela relata que não foram realizados exames que, em sua avaliação, poderiam ter contribuído para identificar o problema mais cedo.
“Mas autismo não é fase. Autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento”, ressaltou.
Ela também chama a atenção para a camuflagem de características autistas, especialmente entre mulheres, o que pode dificultar o diagnóstico. Segundo Marcele, essa situação reforça a necessidade de atenção aos sinais apresentados desde a infância e de acolhimento às preocupações das famílias.
Além dos impactos para a pessoa autista, o diagnóstico tardio pode provocar sofrimento para os familiares. Por isso, Marcele afirma que uma das bandeiras que defende é garantir às famílias atípicas acesso a diagnósticos precoces e tratamentos efetivos.
Embora a conversa tenha como foco sua vivência como mãe atípica, ela também pretende responder a perguntas relacionadas à área jurídica, dentro de seus conhecimentos. A proposta, no entanto, não é apresentar uma palestra técnica, mas proporcionar um espaço de identificação, acolhimento e troca entre famílias que enfrentam realidades semelhantes.
“Tenho muita bagagem prática e uma bandeira nesse lugar: que as famílias atípicas tenham acesso a diagnósticos precoces e a tratamentos efetivos”, concluiu.