SANTA CATARINA. O Governo do Estado ampliou o acesso às cirurgias de reconstrução mamária para mulheres que passaram por mastectomia em decorrência do câncer de mama. A estratégia integra as ações do Outubro Rosa e prevê recursos estaduais para aumentar a oferta dos procedimentos, reduzir a fila de espera e fortalecer o atendimento oncológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Atualmente, 150 mulheres foram identificadas para a realização da cirurgia eletiva de reconstrução mamária. As pacientes estão sendo reguladas conforme a ordem cronológica de inclusão no Sistema de Regulação do Estado (Sisreg), com prioridade para aquelas que aguardam há mais tempo. A iniciativa contempla 17 serviços de Alta Complexidade em Oncologia de Santa Catarina, que já estão atendendo as pacientes.
Um dos principais pontos da estratégia é a criação de um incentivo estadual específico para a reconstrução mamária pós-mastectomia com implante de prótese. Enquanto a tabela do SUS prevê R$ 500 para o procedimento, o Governo de Santa Catarina complementa o valor com R$ 5.078,08 por meio da Tabela Catarinense e do prêmio estadual.
Segundo o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, a reconstrução deve ser compreendida como parte da assistência integral às mulheres que enfrentaram o câncer de mama. “Estamos fortalecendo o cuidado às mulheres que enfrentaram o câncer de mama. A reconstrução mamária não deve ser vista como algo separado do tratamento, mas como parte da assistência integral às pacientes”, destacou.
Dados do Ministério da Saúde apontam que Santa Catarina registrou crescimento no número desses procedimentos nos últimos anos. Em 2022, foram realizadas 179 cirurgias de reconstrução mamária. Em 2025, o número chegou a 396, representando crescimento de 121%. Em 2026, até julho, foram contabilizados 217 procedimentos.
Com a ampliação dos recursos, a intenção é dar melhores condições aos hospitais habilitados para aumentar o número de cirurgias e, consequentemente, diminuir o tempo de espera das pacientes.
“É me olhar no espelho e me reconhecer”
Além da recuperação física, a reconstrução mamária pode ter impacto na autoestima e na recuperação emocional das mulheres após o tratamento contra o câncer. Graziela Ventura, moradora de Florianópolis e paciente do Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon), já passou pelo procedimento e definiu a nova etapa de sua vida como um recomeço. “A palavra é recomeço. É me olhar no espelho e me reconhecer”, afirmou.
Graziela relatou ainda os desafios enfrentados desde o diagnóstico, passando por exames, consultas, cirurgias, dores e efeitos colaterais, além do desgaste emocional provocado pelo tratamento. “Ninguém escolhe ter câncer, né? Depois do diagnóstico tudo muda. A rotina fica exausta, são muitos exames, consultas, cirurgias, dor, efeitos colaterais e também o desgaste emocional. Mas eu me senti acolhida”, contou.
Para as mulheres que ainda aguardam ou enfrentam o tratamento, ela deixou uma mensagem de incentivo. “Às vezes não vemos a luz no fim do túnel, mas a gente sobrevive. E você também vai. Eu sei que consegue. Sempre conseguimos, com fé, força e coragem”, afirmou.
A reconstrução pode ser realizada após mastectomia parcial ou total. Quando existem condições técnicas, o procedimento também pode ocorrer no mesmo ato cirúrgico da retirada da mama, evitando que a paciente precise passar posteriormente por uma nova cirurgia.
Com a estratégia anunciada durante o Outubro Rosa, o Estado busca ampliar o acompanhamento às mulheres também na etapa posterior ao tratamento do câncer, incluindo a reconstrução mamária no processo de recuperação física e emocional.
