
RIO NEGRINHO. Uma ideia desenvolvida dentro do Geração Empreendedora, realizado na cidade pela Acirne, ganhou forma, passou por diferentes etapas de seleção e levou cinco jovens de Rio Negrinho até a final estadual do programa.
O grupo, formado por alunos da Escola Manuel da Nóbrega, criou a FibraNova, empresa responsável pela fabricação do Remanta, um sistema de isolamento termoacústico desenvolvido a partir do reaproveitamento de tecidos e resíduos têxteis gerados por empresas de Santa Catarina.
O projeto foi desenvolvido por: Breno Eduardo dos Anjos, de 17 anos; Luiz Henrique Chabereck, de 16 anos; Natan Peyerl Momoli, de 16 anos; Matheus Sebastian Colaço, de 17 anos; e Carlos Eduardo Henning, de 17 anos.
Em todas as fases, eles tiveram o acompanhamento de quatro multiplicadores: Eloiza Ignaczuk e Josnei Schade, do Núcleo de Jovens Empreendedores e Betina Fagundes e Ciliane Augustin, do Núcleo de Mulheres Empreendedoras, ambos ligados à Acirne.
Acompanhando o resultado final
A equipe do Nossas Notícias esteve hoje (30) na Acirne, onde eles, junto com Eloisa, participaram, de forma online, da cerimônia de revelação dos classificados da iniciativa, que é da FACISC (Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina).
A ideia dos rio-negrinhenses foi pensada como uma alternativa para aproveitar materiais que seriam descartados e, ao mesmo tempo, contribuir para o isolamento das residências.
A proposta inicial é que o produto seja instalado no espaço existente entre o teto e o telhado.
“É um isolamento termoacústico”, detalharam.
Na prática, a intenção é que o material ajude a manter a temperatura interna do imóvel, reduzindo a influência das temperaturas externas.
“Ele vai manter a temperatura dentro da casa. No inverno, fica quente e no verão, mais frio”, resumiu o grupo.
Para que tipo de casas
Neste primeiro momento, a proposta está direcionada principalmente a residências que tenham espaço estipulado previamente. Entretanto, os jovens já pensam em outras possibilidades para o produto, caso o desenvolvimento continue.
Segundo eles, futuramente o Remanta poderia ser adaptado para utilização em paredes e até em construções que tenham forro de gesso, sendo instalado entre o gesso e a laje.
Como tudo começou
Os participantes receberam problemas e desafios que poderiam servir como ponto de partida para a criação de uma proposta de negócio.
“A gente usou um dos problemas que o curso deu para a gente e desenvolveu a nossa ideia”, explicou um dos estudantes.
A partir daí, o grupo precisou pensar não apenas no produto, mas também em como uma eventual empresa poderia funcionar na prática, em todos os aspectos.
Ao longo das aulas, a proposta foi sendo aperfeiçoada até chegar ao formato atual.
O processo exigiu que os estudantes saíssem da parte teórica e buscassem informações sobre o mercado. Eles entraram em contato com fornecedores e profissionais para compreender melhor os materiais, a produção e as possibilidades de aplicação.
“A gente ficou bastante tempo indo atrás de fornecedores. Teve bastante contato com engenheiros e outros profissionais, para a gente ter noção de como funcionava o mercado”, relataram.
Parte importante do desenvolvimento também aconteceu durante as aulas e com o auxílio dos multiplicadores do programa, que acompanharam a construção da ideia e orientaram os jovens nas diferentes etapas.
Durante a busca por informações, os estudantes estabeleceram contato com empresas. Segundo o grupo, ainda não existe uma parceria formalizada, mas houve demonstração de interesse na proposta.
Uma das empresas procuradas, a Fakini, conforme relataram, chegou a conversar com eles sobre o envio de tecido, material que pode ser utilizado para dar continuidade ao desenvolvimento do projeto.
Próximos passos
A intenção agora é avançar para uma fase mais prática. Os próprios estudantes reconhecem que ainda existem etapas importantes antes de afirmar que o produto poderá chegar ao mercado.
Entre elas estão testes para verificar tecnicamente o desempenho do material. Alguns desses procedimentos, segundo o grupo, envolvem materiais, equipamentos e análises de custo elevado.
“Claro, tem muitos testes para a gente fazer. Não foi tudo testado, até porque os produtos são caros e importados”, explicaram.
Por isso, os jovens afirmam que estão abertos ao apoio de empresas interessadas na proposta, especialmente para que seja possível avaliar a viabilidade técnica do projeto.
“Se alguma empresa estiver interessada em ajudar a gente a desenvolver o projeto, a comprovar o funcionamento dele, a gente está aberto. Principalmente investimentos para a viabilidade técnica mesmo”, disseram.
A continuidade da FibraNova ainda será discutida pelo grupo. A intenção é analisar as possibilidades existentes e verificar de que maneira a ideia poderá seguir sendo desenvolvida depois da experiência no Geração Empreendedora.
Como o projeto chegou à final estadual
Antes de chegar à etapa estadual, os estudantes tiveram que passar por outras seleções. Primeiro, a FibraNova foi escolhida na etapa realizada em Rio Negrinho. Depois, o grupo avançou para a disputa macrorregional e novamente conquistou o primeiro lugar.
O desempenho garantiu aos estudantes a oportunidade de representar Rio Negrinho na etapa estadual do Geração Empreendedora.
Na final, 15 projetos de diferentes cidades participaram da disputa. Para os jovens, chegar até a fase estadual foi resultado de todo o processo de desenvolvimento iniciado no município.
“Nós fizemos todo um projeto juntos e a gente esperava chegar na final. E chegamos”, relataram.
A experiência também trouxe o nervosismo natural de apresentar uma ideia desenvolvida durante meses diante de uma avaliação estadual.
Uma empresa na prática
Além de desenvolver o produto, os estudantes precisaram aprender sobre diferentes aspectos envolvidos na criação de um negócio. Segundo eles, o Geração Empreendedora permitiu conhecer assuntos que vão desde a construção de uma ideia até questões relacionadas à rotina de uma empresa.
Os participantes destacaram que o programa ajuda especialmente jovens que estão se aproximando da vida adulta e ainda começam a pensar sobre qual caminho profissional seguir.
“Acho que é importante você ter uma ideia de futuro, do que você quer na sua vida. E esse curso já traz isso: uma ideia do que a gente queria e, principalmente, de como executar as ideias que a gente tiver ao longo dessa fase juvenil, partindo para a vida adulta”, afirmou um dos integrantes.
Outro ponto destacado foi a possibilidade de conhecer mais de perto a realidade de quem empreende.
Segundo os estudantes, as atividades abordaram temas ligados até a questões como impostos.
O programa também prevê uma experiência junto a um empreendedor, permitindo aos participantes acompanhar parte da rotina de uma empresa e de alguém que já desenvolve o próprio produto.
Para um dos jovens, a experiência também serviu como incentivo para que outros estudantes aproveitem as oportunidades que surgirem.
“A gente não sabe quando Deus está preparando alguma coisa para o nosso futuro, então a gente tem que aproveitar tudo que tem em mãos, correr atrás e buscar”, declarou.
Só elogios
Eloisa enfatizou que os jovens se destacaram pela dedicação ao projeto e foram além do que era desenvolvido durante as atividades regulares.
Ela frisou que o grupo buscou possíveis parcerias, fez contatos e trabalhou na preparação da apresentação do projeto para as diferentes etapas.
“A avaliação depende dos critérios considerados pelos jurados e o desempenho dos estudantes até chegar à final já foi motivo de satisfação para nós. A gente ficou bem feliz”, disse.
De aluna a multiplicadora
Eloísa também possui uma ligação anterior com o Geração Empreendedora. Antes de ajudar outros jovens a desenvolverem seus projetos, ela própria participou da iniciativa.
Segundo contou ao Nossas Notícias, há cerca de sete anos esteve no programa como aluna. Nesta edição, recebeu o convite para retornar, desta vez como multiplicadora.
Os multiplicadores passam por treinamento e ficam responsáveis por ministrar as atividades, orientar os participantes e acompanhar a evolução dos projetos.
