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“Estar cercado de pessoas não significa estar integrado”: psicólogo fala sobre solidão e os sinais que devem causar alerta em série especial aqui do Nossas Notícias neste Setembro Amarelo

“Estar cercado de pessoas não significa estar integrado”: psicólogo fala sobre solidão e os sinais que devem causar alerta em série especial aqui do Nossas Notícias neste Setembro Amarelo

“Estar cercado de pessoas não significa estar integrado”: psicólogo fala sobre solidão e os sinais que devem causar alerta em série especial aqui do Nossas Notícias neste Setembro Amarelo

RIO NEGRINHO. Estar cercado de pessoas nem sempre significa se sentir acompanhado. A diferença entre estar sozinho e experimentar a solidão está justamente na existência de vínculos afetivos e na sensação de pertencimento. Esse é um dos pontos abordados pelo psicólogo Antonio Álvaro F. das Chagas, entrevistado pelo Nossas Notícias na segunda matéria da série especial sobre o Setembro Amarelo.

Psicólogo clínico e organizacional há seis anos, ele realiza atendimentos individuais, de casal, família e grupos, presencialmente em São Bento do Sul e Rio Negrinho e também de forma on-line.

Segundo ele, estar sozinho está relacionado à ausência de companhia, enquanto sentir-se sozinho envolve a falta de vínculos afetivos e a sensação de não pertencer ao ambiente ou ao grupo em que a pessoa está inserida.

“Estar cercado de pessoas não significa necessariamente que a pessoa está integrada àquele grupo afetivamente. É essa ligação afetiva que gera identificação e segurança pessoal”, explica.

O psicólogo destaca ainda que não é possível apontar uma única causa para que uma pessoa desenvolva determinado sofrimento emocional. Cada indivíduo é marcado de maneira diferente pelas próprias experiências, principalmente durante as primeiras fases do desenvolvimento psicoemocional.

Redes sociais e a necessidade de validação

As redes sociais também passaram a ocupar um espaço importante na maneira como as pessoas se relacionam e enxergam a si mesmas. Conforme Antonio, as interações virtuais podem intensificar uma necessidade humana básica: a busca por validação.

Nesse ambiente, a percepção de valor pessoal pode acabar sendo associada às reações recebidas de outras pessoas, como curtidas, comentários e aprovação.

O psicólogo ressalta que, embora a maioria das pessoas saiba que as redes sociais mostram apenas fragmentos da realidade, a comparação pode provocar sofrimento.

“Não são raros os casos em que o sucesso nas redes eleva o nível de desconforto da pessoa, que passa a se sentir pressionada a impactar seu público”, afirma.

Segundo ele, essa pressão pode fazer com que o indivíduo se afaste gradualmente de quem realmente é para tentar corresponder à imagem que acredita que os outros esperam.

Mudanças podem ser sinais de alerta

Entre os sinais que podem chamar a atenção de familiares, amigos e até da própria pessoa estão mudanças repentinas de comportamento, humor, interesses e motivação.

Uma pessoa que antes era comunicativa pode se tornar mais quieta, emotiva ou isolada. Em alguns casos, pode ocorrer o movimento contrário, com comportamentos mais eufóricos, extremistas ou uma dedicação excessiva a determinado assunto ou grupo.

Também podem aparecer perda de interesse por atividades que antes faziam parte da rotina, afastamento de pessoas, necessidade excessiva de agradar aos outros, baixa autoestima e falta de autocuidado.

Mudanças repentinas de trabalho, cidade ou relacionamentos também podem merecer atenção quando aparecem acompanhadas de outras alterações comportamentais.

Para Antonio, familiares e amigos próximos têm um papel importante porque conhecem a rotina e as características de quem está ao seu redor e podem perceber mudanças que, muitas vezes, passam despercebidas.

“Somos seres sociais. Agimos e reagimos de acordo com o padrão do nosso grupo social”, explica.

Cuidar de si também é uma forma de cuidado

O Setembro Amarelo, segundo o psicólogo, vai além de falar sobre prevenção ao suicídio. A campanha também representa um convite à solidariedade, à empatia e à percepção do sofrimento, tanto das pessoas próximas quanto de nós mesmos.

Antes de tentar cuidar do outro, Antonio destaca a importância de olhar para as próprias emoções, medos, fugas e dificuldades.

Para ele, cuidar da própria saúde mental também é uma maneira de proteger quem está ao nosso redor, especialmente porque pensamentos e comportamentos graves podem ser precedidos por sinais que foram negligenciados ao longo do tempo.

O apoio de familiares e amigos é fundamental, mas não substitui o acompanhamento profissional. Procurar ajuda psicológica ou outro tipo de atendimento especializado não representa fraqueza.

“Procurar ajuda não é sinal de fraqueza. Muito pelo contrário, é um momento em que decidimos enfrentar nossos medos e limites”, destaca.

O psicólogo reforça que buscar ajuda pode ser justamente o primeiro passo para compreender os próprios sentimentos, reconstruir vínculos e encontrar uma relação mais saudável consigo mesmo.

Setembro Amarelo

A série especial do Nossas Notícias durante o Setembro Amarelo busca abordar diferentes aspectos relacionados à saúde mental, levando informação, orientação e a perspectiva de profissionais sobre situações que fazem parte da realidade de muitas pessoas. Ao longo da série, nossa equipe se une à campanha de valorização da vida, reforçando a importância de falar sobre saúde mental, buscar ajuda e fortalecer redes de apoio.

“Estar cercado de pessoas não significa estar integrado”: psicólogo fala sobre solidão e os sinais que devem causar alerta em série especial aqui do Nossas Notícias neste Setembro Amarelo

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