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[Vídeo] Rio Negrinho: “foi um crime premeditado e sobreviver foi um milagre”, conta proprietária, após homem atear fogo em estabelecimento no Centro

[Vídeo] Rio Negrinho: “foi um crime premeditado e sobreviver foi um milagre”, conta proprietária, após homem atear fogo em estabelecimento no Centro

[Vídeo] Rio Negrinho: “foi um crime premeditado e sobreviver foi um milagre”, conta proprietária, após homem atear fogo em estabelecimento no Centro


RIO NEGRINHO. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que um homem ateou fogo no Rei do Pastel, na esquina das ruas Willy Jung com 13 de Dezembro, no Centro, no final da tarde deste domingo (02). Além desse local, ele colocou fogo na porta de uma peça anexa ao Hostel Abreu, que fica na Willy Jung, em anexo à pastelaria. Ali ele estava hospedado há cerca de um mês e meio.

Ambos os estabelecimentos são de propriedade de Irene Bastos Abreu, que recebeu a reportagem aqui do Nossas Notícias na tarde de hoje (03), quando contou detalhes do que aconteceu.

A ocorrência foi classificada pela Polícia Militar como incêndio criminoso. Uma perícia já foi realizada pela Polícia Científica e a Polícia Civil investiga o caso. Até o momento dessa publicação, o autor não havia sido localizado.

Os registros mostram pelo menos três momentos da ação: primeiro, o homem aparece entrando no hostel. Na sequência, ele sai assobiando, após atear fogo na porta da peça e segue até a pastelaria, onde Irene estava sozinha.

Ali, ela viveu momentos de terror e falou sobre acontecimentos anteriores, que acredita terem sido o estopim para a ação criminosa.

Segundo a empresária, no início ele era considerado um bom inquilino, trabalhava e mantinha os pagamentos em dia, mas o comportamento teria mudado nos últimos dias.

“Era um cara trabalhador, pagava certo. Mas agora, nos últimos três, quatro dias, a convivência com ele estava muito difícil. Começou a incomodar os outros inquilinos, a provocar e a faltar com respeito”, recordou.

De acordo com ela, em função disso, até mesmo outros inquilinos chegaram a deixar o local.

“Ele foi pegando no pé de um, depois de outro. Ficou complicado”, relatou.

Irene também contou que, durante o período em que esteve hospedado no local, o homem dizia que não pretendia permanecer ali por muito tempo.

“Falou várias vezes que estava só de passagem, que não era de parar em lugar nenhum. Sempre falava isso para mim”, afirmou.

Outra questão que a deixou assustada, já antes do crime, foi que ele lhe enviava conversas que tinha com outros homens, que ela não conhece.

“Enviava áudios pra eles, falando sobre a intenção de colocar fogo aqui e praticar atos violentos. Pedia ajuda pra esses homens, pedindo arma e munição, dizendo que ia fazer alguma coisa antes de sair. Foi uma coisa bem premeditada e mandava os áudios dos outros para mim também. Eu recebi as cópias de todos esses áudios ”, afirmou.

Irene contou ainda que no sábado chegou a conversar com o homem e avisou que ele precisaria deixar o imóvel, caso continuasse com aquele comportamento.

Porém, diante da resistência dele, no domingo de manhã pediu que saísse e ele deixou o local, sem dar satisfação. Ainda conforme o relato, antes do crime, na tarde de domingo, Irene acionou a Polícia Militar para auxiliar na retirada dos pertences do então hóspede, que não estava mais ali. Ela contou que disse aos policiais que queria apenas que a situação fosse resolvida sem conflito.

“Eu só queria que eles chegassem e falassem para ele ir embora, de boa. A gente arrumou as coisas dele e deixou tudo separado, já que ele não estava e não tinha o que fazer”, explicou.

Após a saída da polícia, segundo Irene, o homem voltou, por volta das 18h30.

“Quando ele chegou na pastelaria, pensei que estava com uma arma e peguei um pedaço de madeira pra me defender, porque ele tinha nos ameaçado de morte. Só pensei em sair, mas quando vi a claridade, percebi que era fogo”, relatou.

A proprietária conta que conseguiu deixar o local rapidamente e que a ação de outros moradores e do seu esposo foi fundamental para evitar que o incêndio se espalhasse.

Um dos moradores, que estava há dois dias na cidade, chegou a pegar uma bicicleta para tentar localizar o criminoso.

E para surpresa de todos, logo após ele sair, outro hóspede que estava dormindo, percebeu uma movimentação estranha e ao sair do quarto, viu que havia o segundo foco de incêndio, na porta em anexo ao hostel.

“Se não fosse esse rapaz que foi buscar a bicicleta, talvez a gente nem teria visto que estava pegando fogo lá nos fundos. Ele entrou para pegar a bicicleta e nisso fez barulho. O outro rapaz, acordou e viu que tinha sido colocado fogo na porta da outra peça”, explicou.

Ao perceber as chamas, os moradores correram também para controlar essa situação.

“Não tinha ninguém naquela peça, mas poderia ter pegado fogo em tudo”.

Só gratidão: esposo de Irene, que é deficiente visual, entrou na pastelaria para tentar salvá-la

Marcos Lesnieski, popularmente conhecido como “Marquinhos”, é deficiente visual e entrou na pastelaria para tentar Irene.

“Ele não viu que eu já tinha saído e não hesitou em me proteger. Além da gratidão a ele, quero deixar aqui o meu muito obrigada a todos os amigos e hóspedes, que ajudaram naquele momento e que vem nos dando apoio até agora”.

A comerciante enfatizou que apesar do momento de tensão, é grata porque uma tragédia maior foi evitada.

“Para mim foi um milagre. Não tem outra explicação. Ia pegar fogo em tudo, e a gente poderia nem ter percebido o primeiro foco”.

Mesmo após o ocorrido, a proprietária disse que espera que o autor consiga mudar de vida. Segundo ela, antes dos conflitos, ele chegou a falar que queria abandonar alguns hábitos e se aproximar da igreja.

“Dizia que queria uma Bíblia, que queria ir para a igreja e que queria mudar”.

“Eu peço oração por ele, para que mude de vida, que siga um caminho melhor. Nós acolhemos ele, não queríamos fazer mal. A gente queria ajudar”, finalizou.

[Vídeo] Rio Negrinho: “foi um crime premeditado e sobreviver foi um milagre”, conta proprietária, após homem atear fogo em estabelecimento no Centro

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