
RIO NEGRINHO. Com a chegada das férias escolares, crianças e adolescentes passam a ter mais tempo livre e, em muitas famílias, celulares, tablets, videogames e televisão acabam ocupando boa parte do dia. Embora a tecnologia esteja presente na rotina, especialistas alertam que o uso excessivo pode trazer impactos ao desenvolvimento infantil e juvenil, especialmente quando substitui atividades importantes para o crescimento.
Em entrevista ao Nossas Notícias, a psicóloga rio-negrinhense Danielle Alves de Oliveira, de 38 anos, formada pela Universidade do Contestado (UnC) – Campus Mafra e com formação em atendimento infantojuvenil pelo Instituto Ânima, explica que o problema não está no uso das telas em si, mas na falta de equilíbrio. Segundo ela, durante as férias, a ausência da rotina escolar faz com que dispositivos eletrônicos se tornem uma forma de entretenimento constante, mas é fundamental que esse tempo não substitua brincadeiras, convivência familiar e outras experiências essenciais.
De acordo com a profissional, o uso excessivo de telas pode comprometer a atenção, a concentração e a memória, além de favorecer o aumento da ansiedade, da irritabilidade, alterações no sono, sedentarismo e dificuldades nas relações sociais presenciais. Entre os principais sinais de alerta estão crises de irritação quando o acesso aos dispositivos é interrompido, perda de interesse por atividades antes apreciadas e até queda no rendimento escolar.
Danielle lembra que as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) orientam que crianças menores de dois anos não sejam expostas às telas. Entre dois e cinco anos, o tempo deve ser limitado a uma hora por dia, sempre com supervisão. Dos seis aos dez anos, a orientação é de uma a duas horas diárias, enquanto adolescentes de 11 a 18 anos devem utilizar telas para lazer por, no máximo, três horas ao dia.
A psicóloga também destaca que o brincar continua sendo uma das principais ferramentas para o desenvolvimento infantil, estimulando criatividade, imaginação, coordenação motora, resolução de problemas e habilidades sociais. Em vez de apenas restringir o uso dos dispositivos, ela orienta que os pais ofereçam alternativas, como passeios ao ar livre, esportes, jogos de tabuleiro, leitura e momentos de convivência em família. Além disso, ressalta que permitir períodos de tédio também favorece a criatividade.
Outro aspecto apontado pela especialista é o exemplo dado pelos adultos. Segundo Danielle, crianças tendem a reproduzir os hábitos observados dentro de casa, tornando importante que pais e responsáveis também revejam o próprio tempo de uso dos celulares. Para os adolescentes, ela recomenda que o equilíbrio seja construído por meio do diálogo, com regras claras e participação dos jovens na definição dos horários destinados às redes sociais e aos jogos.
Ao final, a psicóloga reforça que as férias representam uma oportunidade para fortalecer os vínculos familiares. Ela destaca que momentos simples, como conversas, caminhadas e brincadeiras, podem criar lembranças duradouras e contribuir para o desenvolvimento das crianças, lembrando que, embora as telas estejam sempre disponíveis, a infância é uma fase que passa rapidamente.






