
SANTA CATARINA.O Procon de SC passou a receber denúncias de violência doméstica e patrimonial em todas as unidades do Estado. A medida entrou em vigor nesta segunda-feira (27) e tem como objetivo ampliar os canais de acolhimento às mulheres em situação de violência.
A iniciativa ocorre em meio a um cenário preocupante. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado, em 2015. O total representa um aumento de 4% em relação ao ano anterior e marca o quarto ano consecutivo de crescimento desse tipo de crime.
Com a nova medida, mulheres vítimas de violência poderão relatar a situação durante o atendimento ao consumidor no Procon. Os servidores foram capacitados para realizar o acolhimento de forma humanizada e encaminhar, com discrição e segurança, as informações à Polícia Civil.
De acordo com a diretora do Procon SC, delegada Michele Alves, muitas vítimas deixam de procurar diretamente uma delegacia por medo de represálias dos agressores.
“O Procon SC é um órgão voltado às relações de consumo e, justamente por ser um ambiente neutro, onde o atendimento é individualizado em cabines, muitas mulheres podem se sentir mais seguras para relatar a violência. Decidimos entrar nessa luta, que é de todos e é urgente”, afirmou.
Além do recorde de feminicídios, o anuário aponta que o país registrou 4.189 tentativas de feminicídio em 2025, alta de 5,9% em comparação com o ano anterior. Na prática, uma mulher sofreu tentativa de feminicídio a cada duas horas no Brasil.
O levantamento mostra ainda que 65% das vítimas eram mulheres negras, a maior incidência ocorreu entre mulheres de 25 e 29 anos e quase 80% dos crimes foram praticados por companheiros ou ex-companheiros.
Mesmo com o aumento na concessão de medidas protetivas de urgência, os casos de feminicídio continuam crescendo. Em 2025, cerca de 132 mil medidas protetivas foram concedidas no país, um crescimento de 17% em relação ao ano anterior. Ainda assim, pelo menos 70 mulheres assassinadas possuíam medida protetiva vigente.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública destaca que, enquanto as mortes violentas intencionais apresentaram queda de 8,2% em 2025, os feminicídios seguiram em alta, reforçando a necessidade de fortalecer políticas públicas de proteção às mulheres e ampliar a rede de acolhimento, como a iniciativa adotada pelo Procon SC.