
RIO NEGRINHO. A equipe aqui do Nossas Notícias recebeu a denúncia de uma moradora que relata ter ficado indignada com o atendimento prestado à mãe, de 80 anos, no pronto-socorro da Fundação Hospitalar.
Segundo ela, a idosa, diagnosticada com Parkinson e Alzheimer, aguardou cerca de duas horas para ser atendida, mesmo apresentando sintomas como vômitos, debilidade e, posteriormente, sendo diagnosticada com pneumonia.
De acordo com o relato, a paciente deu entrada na unidade na segunda-feira (30), acompanhada do genro da denunciante. Na triagem, ela recebeu a pulseira verde, classificação destinada a casos de menor urgência.
A filha contou que, ao chegar ao hospital após sair do trabalho, encontrou a mãe ainda aguardando atendimento.
Inconformada, procurou a ouvidoria da unidade para questionar a classificação de risco. Segundo ela, após a reclamação, a pulseira da paciente foi alterada para amarela, porém a idosa voltou a aguardar atendimento antes de ser chamada.
“Ela ficou duas horas esperando para ser atendida. Quando fui questionar, mudaram a pulseira para amarela, mas colocaram ela novamente no fim da fila. É uma senhora de 80 anos, com todas as limitações que ela tem. Fiquei muito revoltada. Cadê o direito dos idosos?”, desabafou.
A denunciante relatou ainda que a mãe chegou ao hospital sem conseguir se locomover sozinha. Após ser chamada para o atendimento, ela e a cuidadora precisaram ajudá-la a sair da cadeira e chegar até o consultório.
Durante o atendimento, a paciente realizou exames, incluindo um raio-X, que confirmou um quadro de pneumonia — a segunda enfrentada por ela. Após receber medicação, a idosa recebeu alta e segue o tratamento em casa.
Apesar de reconhecer o atendimento recebido pela equipe médica, a filha afirma que a demora foi o que mais a revoltou, diante da condição de saúde da mãe.
“O que me causou indignação foi a demora no atendimento, em função do estado sensível em que ela se encontrava. Quando chegou em casa, estava muito agitada. A pessoa com Alzheimer fica nesse estado. Quase não dormimos porque precisamos cuidar dela durante a noite. É muito triste ver sua mãe nessa situação.”
Ela afirma que decidiu tornar o caso público não apenas pela própria família, mas para evitar que outros pacientes passem pela mesma experiência.
“Também estou falando para que o hospital tenha ciência do que aconteceu e para que outras pessoas não precisem passar por isso”.
O que diz o hospital
Procurado pela equipe do Nossas Notícias, o interventor do hospital, Anderson Godoy, explicou que o Pronto-Socorro adota o Protocolo de Manchester, sistema internacional de classificação de risco que prioriza o atendimento conforme a gravidade do quadro clínico, e não pela ordem de chegada ou pela idade do paciente.
Segundo ele, o protocolo estabelece a seguinte classificação:
- Vermelho: emergências com risco iminente de morte;
- Laranja: casos muito urgentes;
- Amarelo: situações urgentes, mas sem risco imediato;
- Verde: casos pouco urgentes;
- Azul: situações não urgentes.
Godoy afirmou ainda que a direção do hospital se sensibiliza com situações como essa e reforçou que uma espera de cerca de duas horas não é considerada normal pela instituição.
“A gente se sensibiliza, obviamente. Uma espera de duas horas não é um período comum. Sempre que ocorre uma situação como essa, levamos o caso para discussão com a equipe, analisamos o que aconteceu, verificamos se realmente havia algum motivo para a demora e, se necessário, fazemos ajustes, inclusive na composição das equipes de plantão, para adequar o atendimento”, explicou.
O interventor também destacou que o registro feito pela família junto à Ouvidoria é importante para que a instituição possa avaliar o atendimento prestado.
“O fato de a família ter levado essa questão à Ouvidoria é positivo para nós, porque a partir desses registros conseguimos discutir os casos com as equipes. Verificamos se houve alguma falha naquele atendimento específico ou se existe alguma outra situação que precisa ser corrigida. Não estou dizendo que esse foi o caso, porque ainda precisamos apurar melhor essa ocorrência, mas esses registros nos ajudam a identificar possíveis problemas e coordenar melhor as equipes”, concluiu.
Godoy ressaltou ainda que a Fundação Hospitalar busca aperfeiçoar continuamente os serviços prestados à população e reduzir ao máximo o tempo de espera dos pacientes.
“Nosso ideal é a melhoria constante. Queremos que cada pessoa seja atendida no menor tempo possível, e é para isso que trabalhamos diariamente. Buscamos mais recursos para o hospital, conversamos com as equipes, orientamos os profissionais e, quando necessário, fazemos substituições para encontrar a melhor forma de organizar os atendimentos. O objetivo é justamente evitar demoras e corrigir eventuais falhas relacionadas ao atendimento”, finalizou.
