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MP descarta maus-tratos e pede arquivamento em caso do cão “Orelha” em Florianópolis

MP descarta maus-tratos e pede arquivamento em caso do cão “Orelha” em Florianópolis

MP descarta maus-tratos e pede arquivamento em caso do cão “Orelha” em Florianópolis

SANTA CATARINA. O Ministério Público pediu o arquivamento da investigação envolvendo a morte do cão “Orelha”, caso que ganhou grande repercussão nas redes sociais após denúncias de supostos maus-tratos na Praia Brava, em Florianópolis. A manifestação foi protocolada pela 10ª Promotoria de Justiça da Capital, com apoio de um Grupo de Trabalho criado pela Procuradoria-Geral de Justiça, e possui 170 páginas. O documento conclui que não há provas de que os adolescentes investigados tenham agredido o animal.

Segundo o Ministério Público, uma análise detalhada das imagens de câmeras de monitoramento confirmou um descompasso temporal entre os sistemas utilizados durante a investigação inicial. A inconsistência já havia sido apontada anteriormente pela Polícia Científica. Conforme o relatório, as câmeras do condomínio onde estava um dos adolescentes registravam horário cerca de 30 minutos adiantado em relação ao sistema público de monitoramento Bem-Te-Vi, usado para acompanhar o deslocamento do cão. Com a correção da linha do tempo, ficou constatado que o adolescente e o animal não estiveram juntos na praia no horário da suposta agressão.

A nova análise apontou ainda que, enquanto o jovem estava próximo ao deck da Praia Brava, o cão se encontrava a aproximadamente 600 metros de distância. Outro ponto destacado pelo MPSC é que as imagens analisadas mostram o cão caminhando normalmente cerca de uma hora após o horário em que teria ocorrido a suposta agressão, o que enfraquece a hipótese de violência recente.

O Ministério Público também destacou que os laudos periciais e os depoimentos do médico-veterinário responsável pelo atendimento do cão indicam que o animal sofria de uma osteomielite, uma infecção óssea grave e crônica na região maxilar esquerda. Segundo o laudo da exumação, não foram encontradas fraturas, cortes ou lesões compatíveis com agressão humana. As análises identificaram apenas um inchaço acentuado na região da cabeça e do olho esquerdo, compatível com o quadro infeccioso.

Ainda conforme o documento, a doença pode estar relacionada a problemas periodontais avançados. O Ministério Público também mencionou que a cadela “Pretinha”, companheira do cão Orelha, morreu dias depois em decorrência da doença do carrapato, reforçando o cenário de vulnerabilidade sanitária dos animais.

“Ouvi dizer” e redes sociais influenciaram investigação

Na manifestação, as Promotorias afirmam que não existem registros visuais ou testemunhas que confirmem diretamente a agressão ao cão. O documento destaca que a versão dos fatos ganhou força principalmente a partir de comentários nas redes sociais, relatos indiretos e informações sem confirmação, com expressões como “ouvi dizer” e “vi nas redes sociais”.

Segundo o MP, a ampla divulgação dessas versões acabou influenciando o rumo das investigações e direcionando precocemente a suspeita contra os adolescentes.

Caso envolvendo “Caramelo” também foi arquivado

As Promotorias também concluíram que não houve maus-tratos contra os cães conhecidos como “Caramelo”, outro episódio relacionado ao caso.  De acordo com o relatório, as imagens comprovaram que os adolescentes apenas brincavam com um dos animais na praia e que não houve tentativa de afogamento. Em outra situação, o grupo teria apenas induzido um cachorro a entrar em um condomínio, sem agressões físicas.

MP pede apuração sobre vazamento e monetização do caso

Além do arquivamento dos procedimentos, o Ministério Público solicitou o envio de cópias do caso à Corregedoria da Polícia Civil para apuração de possíveis irregularidades durante a investigação. Também foi solicitado encaminhamento à 9ª Promotoria de Justiça para investigar eventual divulgação indevida de informações sigilosas envolvendo adolescente investigado.

Outro ponto destacado é a abertura de uma apuração específica, com apoio do CyberGAECO, para verificar possível monetização de conteúdos falsos relacionados ao caso nas redes sociais, além de eventual prática de linchamento virtual.

MP descarta maus-tratos e pede arquivamento em caso do cão “Orelha” em Florianópolis

MP descarta maus-tratos e pede arquivamento em caso do cão “Orelha” em Florianópolis

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