
SANTA CATARINA. O setor da construção civil em Santa Catarina deve encerrar 2026 com alta de 1,94% de acordo com projeções da área econômica da Federação das Indústrias de SC (Fiesc). O estudo mostra que o cenário de crescimento moderado é decorrente de fatores como a taxa de juros elevada, a desaceleração do crédito imobiliário dada a restrição de crédito e também à pressão inflacionária sobre o segmento.
O economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, destaca que o conflito no Oriente Médio é fonte de preocupação porque pode limitar o potencial de queda da Selic e também os preços dos insumos da construção civil. “O custo da construção já está pressionado pela escassez de mão de obra, já que estamos em pleno emprego. Além disso, a escalada de preços do petróleo, motivada pelas tensões no Irã, também impacta os preços de matérias primas como tubos de PVC, cimento e tintas, por exemplo”, informa.
A inflação do segmento acumulada nos últimos 12 meses até março, medida pelo INCC-DI, alcançou 5,86%. Projeções da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontam que, se os aumentos esperados pelo setor se concretizarem, ao fim de 2026 o indicador poderá atingir 9,72%, contra 5,92% no acumulado de 2025.
Em relação à restrição de crédito, Bittencourt avalia que as perdas na captação de recursos para a poupança, um dos grandes financiadores da casa própria no Brasil por meio do SBPE, preocupam o setor. “O esvaziamento da principal fonte de financiamento imobiliário restringe e encarece o crédito. Isso leva o segmento a buscar outras fontes de captação, mais caras, o que pressiona novos lançamentos”.
Fora da Curva
Apesar do ambiente de cautela, o estado demonstra uma dinâmica regional heterogênea, com o litoral norte reafirmando seu papel como o principal canteiro de obras verticais do território catarinense. A região da Foz do Rio Itajaí continua a ser o grande destaque positivo, graças ao fenômeno do “transbordamento imobiliário” — onde a saturação de polos como Balneário Camboriú impulsiona o crescimento em cidades vizinhas, como Itapema e Porto Belo.
Atualmente, Itapema lidera a região em novas obras, com a construção civil concentrando impressionantes 35,44% dos empregos formais do município (contra uma média estadual de 5,51%). Porto Belo surge como a nova fronteira, com um salto de 20,8% nas vagas em 2025. O volume de novas obras residenciais multifamiliares impressiona: Itapema e Porto Belo registram, cada uma, um nível de atividade comparável ao de Joinville, a maior cidade do estado.
Perspectivas para 2027
O estudo da Fiesc traz possíveis cenários para a construção civil em 2027, condicionados por diferentes variáveis macroeconômicas e também à duração do conflito no Oriente Médio. No cenário de maior risco, o crescimento do setor seria de alta de 1,41% para 2027. A projeção leva em conta um longo conflito (mais de 12 meses), o petróleo acima de US$ 100 e a manutenção da SELIC acima de 14% com viés de alta.
No cenário mais otimista, a expectativa é de que a construção apresente incremento de 2,93%, considerando uma resolução do conflito em até 60 dias, juros em 9,5% e petróleo entre US$ 70 e US$ 80. Já o cenário base projeta crescimento de 2,47% e leva em conta projeções de juros a 11%, petróleo entre US$ 70 e US$ 80 e uma resolução da situação do Oriente Médio em até 60 dias.





