
SANTA CATARINA. A morte de Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, e de sua bebê, na última quinta-feira (2), gerou comoção e levantou questionamentos sobre o atendimento médico prestado em Indaial. A jovem morreu poucas horas após dar à luz, em uma cesariana de emergência realizada no Hospital Santo Antônio, em Blumenau.
Grávida de 28 semanas, Maria Luiza deu entrada na unidade já em estado grave. A bebê nasceu sem batimentos cardíacos e não resistiu. A jovem também morreu pouco tempo depois.
Em meio ao luto, a família aponta uma série de falhas no atendimento prestado anteriormente pelo Hospital Beatriz Ramos, onde a gestante buscou ajuda em diferentes ocasiões nos dias que antecederam a tragédia.
Segundo a mãe, Luana Bogo Petry, os primeiros sintomas começaram no dia 28 de março, com dores no corpo, febre, fraqueza e dor de cabeça. No dia 30, Maria Luiza procurou atendimento no hospital, onde foi medicada, fez exames e acabou liberada. “Estava tudo dentro da normalidade. Mesmo com as dores, ela foi liberada para casa”, relatou.
No dia seguinte, a jovem retornou à unidade com piora no quadro. Novos exames indicaram alterações, incluindo queda nas plaquetas, o que poderia indicar dengue, segundo a mãe. Ainda assim, ela foi novamente liberada.
Na quarta-feira (1), já com sintomas mais intensos, como dores fortes e febre, Maria voltou ao hospital, mas, conforme a família, foi apenas medicada e liberada novamente, com diagnóstico de gastroenterite não infecciosa.
A situação se agravou na quinta-feira (2), quando a jovem, muito debilitada, procurou atendimento em uma unidade de saúde do bairro Tapajós. “Ela caiu na frente do postinho, porque estava muito fraca. Eles ficaram chocados com o estado dela e disseram que já era muito grave”, relatou a mãe.
Maria Luiza foi então encaminhada com urgência ao hospital em Indaial e, posteriormente, transferida pelo SAMU para o Hospital Santo Antônio. Lá, passou por uma cesariana de emergência na tentativa de salvar a bebê.
“Eles fizeram a cesárea porque ela não tinha mais chance de vida. A neném não resistiu e ela também não”, lamentou Luana.
Até então, segundo a família, a gestação transcorria normalmente, com exames dentro da normalidade, exceto pelo diagnóstico recente de diabetes gestacional e suspeita de dengue.
Diante da sequência de atendimentos e da evolução do quadro, a família busca esclarecimentos. “Eu quero saber o que aconteceu com a minha filha. Ela era saudável, estava feliz em ser mãe. Eu não vou deixar a memória dela assim”, afirmou a mãe.
Em nota, a Associação Beneficente do Hospital Beatriz Ramos informou que iniciou imediatamente a adoção de medidas para esclarecer o caso. Segundo a instituição, a situação está sendo submetida a uma investigação técnica rigorosa, seguindo protocolos do Conselho Federal de Medicina e do Ministério da Saúde.
A apuração ocorre no âmbito da Comissão Técnica Hospitalar, com análise detalhada de todo o atendimento prestado desde o primeiro contato com a paciente.
Com informações da ND Mais





