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Redução da jornada pode inviabilizar atividades industriais, alerta Federação das Indústrias

Redução da jornada pode inviabilizar atividades industriais, alerta Federação das Indústrias

Redução da jornada pode inviabilizar atividades industriais, alerta Federação das Indústrias

SANTA CATARINA. A proposta de redução da jornada de trabalho no Brasil tem provocado um intenso debate técnico sobre os limites da produtividade nacional. Embora o foco esteja sobre os benefícios ao trabalhador da redução da escala 6×1, o setor produtivo alerta para um risco estrutural mais amplo, de que a perda da prerrogativa de se manter a jornada de 44 horas semanais ameace a continuidade de setores industriais.

A manutenção da opção pelas 44 horas é vista como uma prerrogativa essencial para a indústria catarinense, que compete diretamente com países em que a produtividade é maior. “Sem a flexibilidade para ajustar a jornada à realidade de cada setor, o risco é o deslocamento da produção para outros países ou a aceleração de uma automação que o mercado de trabalho ainda não está preparado para absorver”, explica o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme.

Um dos pontos centrais do debate é o descompasso entre o Brasil e seus concorrentes globais. Enquanto a proposta brasileira visa reduzir a carga horária, países com altos índices de desenvolvimento e produtividade mantêm limites superiores. Alemanha, Dinamarca e Irlanda, por exemplo, definem limite de 48 horas semanais. Na Suíça, alcança até 50 horas semanais em determinados setores.

Para o presidente da Fiesc, o importante é manter a liberdade de negociação. “A legislação deve permitir que quem precisa fazer 44 horas tenha essa opção. É uma questão de sobrevivência para não perdermos competitividade. A realidade de cada mercado deve ser respeitada, pois uma imposição única ignora as particularidades de setores que já operam de forma eficiente no modelo atual”, afirma Seleme.

O peso econômico da mudança
De acordo com projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI), uma redução compulsória da jornada sem a contrapartida de ganhos de produtividade poderia causar um impacto negativo de R$ 76 bilhões no PIB brasileiro. O estudo indica que a medida pressionaria os custos operacionais, resultando em um aumento estimado de 6,2% nos preços ao consumidor, alimentando a inflação e reduzindo o poder de compra da população.

Em Santa Catarina, estado onde o setor industrial possui forte peso na economia – 28,5% no PIB -, a alteração elevaria o custo do trabalho em 11,4%. No estado, é comum que a jornada de 44 horas seja cumprida no regime 5×2 (cinco dias de trabalho por dois de descanso), com casos especiais, que devem ser respeitados.

Seleme reforça que a conta da redução não será paga apenas pelas empresas. “Quem pagará a conta da jornada reduzida? O aumento de custos inevitavelmente será repassado para o preço final dos produtos ou resultará em redução de investimentos e postos de trabalho”, conclui o presidente da Fiesc. O entendimento da entidade industrial é que não há necessidade de alterar a lei.  A negociação coletiva é o mecanismo mais adequado para conciliar os interesses dos trabalhadores e empregadores.

Redução da jornada pode inviabilizar atividades industriais, alerta Federação das Indústrias

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