
SANTA CATARINA. A rede pública de saúde de Santa Catarina conta agora com um novo tratamento para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Seguindo a recente atualização do Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica (PCDT), o estado iniciou a oferta gratuita da terapia tripla fixa em spray. A medida foca em pacientes com diagnóstico grave e muito grave, colocando Santa Catarina no grupo pioneiro de estados brasileiros a implementar essa tecnologia após as novas diretrizes nacionais.
A expectativa é que a inovação impacte positivamente a vida de milhares de catarinenses. Estima-se que o novo tratamento beneficie aproximadamente 66% dos pacientes assistidos no estado — que possui cerca de 27 mil pessoas convivendo com a doença, de acordo com dados do DATASUS. No cenário nacional, a DPOC já atinge mais de 14 milhões de brasileiros.
O avanço é celebrado também por especialistas da área. “A chegada das terapias triplas fixas é um marco para a pneumologia. Ao consolidar três princípios ativos em um só inalador, facilitamos a rotina do paciente e garantimos que ele siga o tratamento com maior rigor”, explica o pneumologista Tiago Bottega, presidente da Associação Catarinense de Pneumologia. Segundo o médico, a estabilização do quadro clínico gera um ciclo positivo para o setor público. “O uso correto do medicamento reduz drasticamente as exacerbações. Com menos crises agudas, diminuímos a pressão sobre as emergências e o número de hospitalizações, devolvendo qualidade de vida aos cidadãos”.
A DPOC é uma condição inflamatória progressiva que compromete as vias aéreas, dificultando a respiração e limitando tarefas simples do cotidiano. Sem cura, a doença manifesta sintomas como cansaço extremo, tosse crônica e falta de ar[1]. No Brasil, o quadro é alarmante: é a quinta maior causa de morte entre todas as faixas etárias e a oitava em anos de vida perdidos devido a incapacidades[2].
O impacto não é só no dia a dia do paciente, a DPOC pressiona o sistema de saúde. Hoje, por exemplo, no Brasil, são mais de 200 mil hospitalizações, gerando um custo de aproximadamente R$ 103 milhões por ano[3]. Em 2024, somente em Santa Catarina, o custo gerado com internações pelo SUS foi de R$ 10 milhões[4]. Além de devolver a qualidade de vida aos pacientes, a incorporação da tecnologia trará impactos econômicos positivos para o estado. Estudos de custo-efetividade mostram que a incorporação da tecnologia no SUS traz impactos econômicos positivos. No documento de recomendação de incorporação do medicamento, a Conitec estima que a terapia tripla fixa em spray, em substituição às combinações atuais, trará uma economia estimada de R$ 293 milhões em cinco anos[5].
“A atualização do PCDT de DPOC no SUS vai além da oferta de novos medicamentos, introduzindo melhorias cruciais no fluxo de diagnóstico e manejo da doença. Essas mudanças otimizam o trabalho das equipes de saúde e agilizam o atendimento ao paciente”, afirma o pneumologista. Segundo especialistas, um dos principais avanços é a flexibilização da espirometria: embora fundamental, o exame passa a não precisar mais de renovação anual.
Outro ponto estratégico é a autonomia dada à atenção primária; agora, médicos de postos de saúde e unidades básicas podem prescrever as terapias triplas. Anteriormente, essa prescrição era restrita aos pneumologistas, o que dificultava o acesso em regiões com menor oferta de especialistas. “Essa descentralização é vital para garantir que o tratamento chegue mais rápido a quem precisa”, finaliza Dr. Tiago, e complementa, “A ampliação do arsenal terapêutico para o tratamento da DPOC também pode minimizar iniquidades de acesso no país, sobretudo em cidades com menor IDH e maior vulnerabilidade”.
Essa é uma grande conquista para todos que convivem com a DPOC, sejam pacientes, familiares ou profissionais de saúde. “É mais uma etapa importantíssima vencida para que os pacientes vivam melhor e com mais qualidade. Seguiremos firmes na defesa dos direitos dos pacientes e na promoção de práticas que garantam a sustentabilidade e a eficiência do sistema de saúde”, finaliza Wender Oliveira, Diretor de Acesso da Chiesi Brasil.





