
SANTA CATARINA. A redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem corte salarial, pode resultar na perda de 41,4 mil empregos em Santa Catarina nos próximos dois anos. A estimativa é de um estudo divulgado pela Federação das Indústrias de Santa Catarina, entregue à bancada catarinense na noite desta terça-feira (24).
Segundo o levantamento, cerca de 19,1 mil vagas seriam extintas apenas na indústria, setor que sofreria um aumento de 9,7% nos custos do trabalho. Para o presidente da entidade, Gilberto Seleme, a medida pode comprometer a competitividade da produção catarinense no mercado nacional e internacional. Ele afirmou que setores intensivos em mão de obra e sensíveis a preços, como alimentos e madeira, estariam entre os mais impactados.
O estudo aponta que cadeias produtivas importantes para as exportações de Santa Catarina poderiam sofrer retração. A projeção indica queda de 1,07% nas vendas externas do estado, com destaque para a redução nas exportações de carne de aves (-3,3%), carne suína (-3,1%), madeira bruta (-2,6%) e produtos de madeira (-2,4%).
O coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, deputado Ismael dos Santos, defendeu a ampliação do debate sobre a flexibilização da jornada, mas criticou a proposta de mudança por lei. Segundo ele, a medida pode causar impactos negativos na economia e precisa ser analisada com cautela.
O documento também projeta uma queda de 0,6% no Produto Interno Bruto (PIB) do estado nos próximos dois anos, com retração de 1,15% no PIB da indústria. A região Oeste de Santa Catarina aparece como a mais afetada, com redução estimada de 1,39%.
De acordo com o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, a perda de competitividade pode ocorrer tanto no mercado externo quanto no doméstico. Ele destaca que a participação de produtos importados no Brasil cresceu de 13,4% em 2003 para 25% em 2023, e que muitos desses países mantêm jornadas de trabalho superiores às brasileiras.
Apesar da possibilidade de aumento no consumo devido à manutenção dos salários, o estudo indica que o efeito não compensaria os impactos econômicos. A previsão é de alta média de preços de 2,64% no estado, com maior pressão em setores como construção civil (4,26%), alimentos (3,6%) e vestuário (3,57%), o que pode afetar diretamente o orçamento das famílias.
Outro efeito apontado é o avanço da automação, com a substituição de trabalhadores por sistemas tecnológicos, especialmente na indústria, como forma de compensar o aumento de custos.