
SÃO BENTO DO SUL. A morte do estudante Caleb Moisés Teixeira da Silva, de 12 anos, causou comoção em São Bento do Sul neste fim de semana. O menino morreu na noite deste domingo (23), após sofrer uma descarga elétrica ao encostar em um fio de energia que estava solto na rua Mathias Nossol, no bairro Serra Alta.
O velório ocorre na Capela São Bento Leier e o sepultamento está marcado para às 10h desta terça-feira (24), no Cemitério Municipal.
Segundo relato da irmã, Maria Isabel Teixeira da Silva, de 24 anos, com quem a reportagem aqui do Nossas Notícias conversou na tarde de hoje (23), Caleb havia passado a tarde na casa de uma das irmãs, que se mudou recentemente para uma residência próxima. No início da noite, ele decidiu retornar para a casa da mãe, onde morava com ela e outros três irmãos. O trajeto era curto, cerca de uma quadra.
Ao sair do portão e caminhar pela rua, que estava em más condições, com lama e poças d’água, o menino tentou desviar de uma área alagada e ao passar, acabou encostando em um fio solto.
Conforme o que foi repassado à família, a fiação atingiu a região do pescoço e a descarga elétrica percorreu o corpo, saindo pelo braço. No momento, havia garoa, o que pode ter agravado a condução da energia.
Caleb estava sozinho quando o acidente ocorreu. Um dos irmãos, que passava pela rua momentos depois, foi avisado por crianças da vizinhança sobre o que havia acontecido e comunicou a mãe. Quando os familiares chegaram ao local, o menino já estava sendo atendido e colocado na ambulância.
Vizinhos prestaram os primeiros socorros
Um morador com conhecimento em elétrica e a esposa dele, que é enfermeira, prestaram os primeiros socorros ainda na rua, tentando reanimá-lo até a chegada da equipe de emergência. Caleb foi encaminhado ao hospital, onde, segundo a família, os médicos realizaram manobras de reanimação por cerca de 20 minutos. No entanto, ele não respondeu aos procedimentos e o óbito foi confirmado.
A indignação dos moradores por um problema que vem se arrastando
Moradores do bairro também relataram que o fio estava solto havia dias. Em um grupo comunitário, alguns integrantes afirmaram já ter sentido pequenos choques ao passar pelo local. A família diz não saber se houve pedido formal de manutenção, mas destaca que o risco era conhecido entre vizinhos. Após o acidente, outros fios teriam sido erguidos por moradores.
Escola em luto
Aluno do sexto ano da Escola Dalmir Pedro Cubas, Caleb estudava no período da tarde e participava da banda escolar. De acordo com os familiares, ele era um menino alegre, educado e muito ligado aos irmãos. Gostava de brincar na rua, tinha muitos amigos e era conhecido por ajudar as irmãs, inclusive cuidando dos sobrinhos.
“Se não estava com uma de nós, estava com outra. Sempre estava junto da família”, relatou a irmã.
A prima do menino, Maria Teixeira da Silva, de 44 anos, contou que soube do ocorrido pelas redes sociais.
“Minhas filhas me mostraram na internet a notícia de um menino que tinha se acidentado. Depois vimos a foto que a mãe dele colocou de luto e então descobrimos que era o Caleb”, relatou.
Segundo ela, o adolescente era “tranquilo, extrovertido, educado, … só coisas boas”.
A familiar também cobrou responsabilização.
“Foi imprudência, foi negligência. Agora têm que arcar com as consequências, porque uma vida não volta mais. Fazia dias que esse fio estava ali. O bairro Serra Alta inteiro tem fios soltos direto. Só vão arrumar depois que a gente perdeu uma vida”, afirmou.
Para ela, a dor maior recai sobre a mãe do menino.
“Querendo ou não, a mãe dele não vai ter mais ele. Quem vai sofrer é ela.”
A família afirma que pretende buscar justiça
Segundo os parentes, a própria polícia orientou que o caso deve ser apurado, já que o fio solto representava risco a outros moradores, especialmente crianças que circulam pela região. Durante o atendimento da ocorrência, outras crianças passaram próximas ao ponto onde o acidente aconteceu.
O caso gerou revolta entre moradores do bairro Serra Alta e reacendeu o debate sobre a manutenção da rede elétrica e a segurança nas vias públicas.
Para a família, além da dor irreparável da perda, permanece o sentimento de que a tragédia poderia ter sido evitada.





