
BRASIL. O influenciador Hytalo Santos e o marido, Israel Vicente, foram condenados pelo Tribunal de Justiça da Paraíba por produção de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes. A decisão foi proferida no sábado (21) e confirmada pela defesa no domingo (22).
No despacho, o juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, da comarca de Bayeux, na Grande João Pessoa, apontou que a investigação concluiu que a dupla explorava a imagem de menores para obter engajamento e monetização nas redes sociais. Segundo a decisão, os conteúdos eram produzidos em contexto adulto e em situações consideradas de alto risco.
Hytalo Santos foi condenado a 11 anos e 4 meses de prisão, enquanto Israel Vicente recebeu pena de 8 anos e 10 meses. Em nota, a defesa informou que irá recorrer e afirmou que pretende acionar o Conselho Nacional de Justiça para apurar a decisão, alegando o uso de expressões consideradas preconceituosas pelo magistrado, destacando que Hytalo é negro e homossexual.
Os advogados afirmaram ainda que, durante a instrução do processo, apresentaram argumentos e provas que, segundo eles, afastariam a tese acusatória, mas que esses pontos não teriam sido enfrentados na sentença. A defesa disse confiar nas instâncias superiores e no devido processo legal.
O caso é investigado desde 2024 e ganhou repercussão nacional após denúncias nas redes sociais sobre a chamada adultização infantil. Conforme a denúncia, adolescentes eram integrados a um grupo que vivia sob tutela informal do influenciador, sendo incentivados a participar de conteúdos considerados sexualizados para aumentar o alcance digital e gerar lucro.
Durante as investigações, Hytalo negou as acusações e afirmou que os pais teriam autorizado a participação dos menores, além de alegar que custeava estudos e despesas. O casal foi alvo de operação com busca e apreensão em agosto do ano passado e preso preventivamente por suspeita de tentativa de fuga do país. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e o acesso às redes sociais do influenciador.
Além desse processo, ambos respondem por outras acusações, incluindo tráfico de pessoas para exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão. De acordo com o Ministério Público do Trabalho, havia controle rígido da rotina, restrição de comunicação, ausência de remuneração e aliciamento baseado na vulnerabilidade das famílias.






