
RIO NEGRINHO. O relatório que voltou a circular neste 2026 sobre a presença de agrotóxicos na água potável de Santa Catarina não é novo. O estudo foi elaborado em 2024 com base em análises realizadas entre 2018 e 2023, mas voltou a ganhar repercussão após o Ministério Público reapresentar os dados e cobrar medidas de controle, fiscalização e possíveis mudanças nas regras nacionais sobre os limites permitidos dessas substâncias.
A apresentação ocorreu no dia 28 de janeiro de 2026 ao Grupo de Trabalho da Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos, o que reacendeu o debate e levou veículos de comunicação a divulgar novamente o tema, dando a impressão de se tratar de uma pesquisa recente. O levantamento foi solicitado pelo Centro de Apoio Operacional do Consumidor dentro do programa Alimento Sem Risco e analisou a água tratada que abastece os 295 municípios catarinenses.
Os resultados apontaram que 155 cidades apresentam resíduos de agrotóxicos na água, embora todos os níveis estejam dentro dos limites definidos pela legislação brasileira. Entre as substâncias encontradas, foram identificados 42 ingredientes ativos, incluindo cinco que são proibidos no Brasil. Segundo o Ministério Público, isso indica poluição ambiental mais ampla, já que os produtos passam antes pelo ar e pelo solo até chegar aos recursos hídricos.
No caso de Rio Negrinho, o município aparece no levantamento com a presença de alguns tipos de agrotóxicos detectados em testes, porém dentro dos parâmetros considerados seguros pela legislação atual. Isso significa que, segundo as normas vigentes, não há indicação de risco imediato à saúde da população.
A principal preocupação apontada pelo estudo é a exposição crônica, ou seja, o contato contínuo com pequenas quantidades dessas substâncias ao longo do tempo. Pesquisas científicas associam esse tipo de exposição a possíveis efeitos cumulativos e aumento do risco, no médio e longo prazo, para doenças como alguns tipos de câncer, alterações hormonais e problemas neurológicos.
O Ministério Público pretende atuar de forma integrada nas áreas da saúde, meio ambiente e defesa do consumidor, além de propor a revisão da Portaria nº 888/2021, que define os limites aceitáveis de resíduos químicos na água potável no país. A ideia é discutir se a legislação atual considera adequadamente a presença simultânea de diferentes substâncias.
A reportagem do Nossas Notícias entrou em contato com o diretor-geral do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto, Valdir Firmo Caetano Júnior, que reforçou que o relatório é estadual e que as amostras estão dentro dos padrões permitidos. Segundo ele, o Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde também confirmam que Santa Catarina segue as diretrizes nacionais para avaliação da qualidade da água.
O SAMAE de Rio Negrinho informou ainda que realiza controle periódico e análises laboratoriais constantes, conforme determina a legislação, garantindo o monitoramento da água distribuída à população.







