
RIO NEGRINHO. Eleito prefeito pelo PSB com 13.812 votos em 2016, o ex-prefeito Júlio Ronconi se tornou, nesta quinta-feira (18), um dos novos réus da Operação Mensageiro, que apura um esquema de desvio de verbas públicas através de contratos de coleta e destinação de lixo, abastecimento de água e iluminação pública em várias cidades de Santa Catarina.
O fato ocorreu após a 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), ter rejeitado os argumentos de sua defesa e decidir receber as denúncias que envolvem, desta vez, ele e mais três investigados.
Ronconi, que em 2024 foi candidato à reeleição pelo PP, é acusado de ter favorecido a Serrana Engenharia em licitações que ocorreram entre 2017 e 2020 e por isso ter recebido cerca de R$ 1,46 milhões em propinas. Os pagamentos teriam ocorrido durante o mandato (R$ 810 mil) e após esse período (R$ 650 mil).
Em Rio Negrinho, a Serrana era uma das responsáveis pela coleta de lixo e pelo aterro sanitário.
Júlio é representado pelos advogados Jorge Henrique Goulart Schaefer Martins e Bernardo Lajus dos Santos, de Florianópolis, que se posicionaram através de nota, frisando a inocência do político rio-negrinhense.
“O recebimento da denúncia constitui um juízo inicial e sumário, que não importa em análise aprofundada do mérito.
A defesa recebe a decisão com serenidade, confia plenamente no regular funcionamento das instituições e está convicta de que, ao longo da instrução processual, ficará demonstrada a inexistência de responsabilidade penal do acusado, com o consequente reconhecimento de sua inocência ao final do processo”.
Procurado pela reportagem aqui do Nossas Notícias no início desta manhã, Júlio garantiu que retornará nas próximas horas. [Atualização] Ele enviou uma nota posteriormente. Leia aqui
A operação foi deflagrada em dezembro de 2022 e é conduzida pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), através do Geac (Grupo Especial Anticorrupção) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), com apoio da Polícia Científica. Em todas as suas cinco fases, chegaram a ser presos 17 prefeitos ou ex-prefeitos, além de empresários, do próprio dono da Serrana (que após a operação virou Versa Engenharia) e funcionários ligados à ela.
A Mensageiro, conforme as autoridades, é o maior escândalo de corrupção no poder público catarinense.
Outros políticos também se tornaram réus nesta quinta
Além de Ronconi, se tornaram réus, neste dia 18:
• Adriano Poffo (ex-prefeito de Ibirama, eleito pelo MDB em 2016 e em 2020)
Acusado de receber R$ 2,5 mil mensais entre 2017 e 2019, com pagamentos intermediados pelo “mensageiro” da propina para os prefeitos. A denúncia contra Adriano foi recebida integralmente, rejeitando todas as alegações da defesa. Em função da operação, ele chegou a ser preso preventivamente em 2023.
• Antônio Ceron (ex-prefeito de Lages, eleito em 2016 e em 2020, pelo PSD)
O TJSC viu indícios suficientes de fraude em três licitações, com direcionamento de editais e favorecimento de empresas do grupo Serrana. As alegações das defesas foram rejeitadas, mas o tribunal entendeu que em relação à Concorrência Pública nº 03/2020, o prazo para punição já passou, e, por isso, a denúncia não foi recebida de forma integral. Em função da operação, ele chegou a ser preso preventivamente em 2023.
• José Thomé (ex-prefeito de Rio do Sul, eleito em 2016, pelo PSDB e pelo PSD em 2020)
Ele é acusado de fraude em contratos com superfaturamento de valores e manipulação de licitação, além de reproduzir o “modus operandi” da Operação Mensageiro. A decisão por unanimidade da 5ª Câmara Criminal foi por receber integralmente a denúncia. Em agosto deste 2025, ele foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO).
Quinta-feira também contou com condenação do prefeito de Imaruí; ele permanece na função até o processo ser transitado em julgado
Além dos novos réus, na mesma data, Patrick Corrêa (Republicanos) foi condenado a 22 anos e 10 meses de prisão por crimes ligados à Operação Mensageiro. A pena definida foi de 19 anos, quatro meses e cinco dias de reclusão em regime inicial fechado e de três anos e seis meses de detenção, em regime inicial semiaberto. Ele também deverá pagar uma multa de R$ 4,9 mil e teve declarada a perda de R$ 150 mil em favor do Estado.
Corrêa ainda foi condenado à perda do cargo público, mas pode recorrer da decisão. Enquanto isso, poderá permanecer na função até que o processo tenha transitado em julgado — sem possibilidade de apresentação de novos recursos.
Sua defesa afirmou que pretende recorrer da decisão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e disse confiar em uma reavaliação do caso.
Com informações do NSC Total LEIA TAMBÉM:





