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Falta de motivação pode ser consequência do uso excessivo do celular, alerta especialista rio-negrinhense em neurociência

Falta de motivação pode ser consequência do uso excessivo do celular, alerta especialista rio-negrinhense em neurociência

Falta de motivação pode ser consequência do uso excessivo do celular, alerta especialista rio-negrinhense em neurociência

RIO NEGRINHO. A dificuldade de manter o foco, a disciplina e a motivação no dia a dia pode ter uma causa silenciosa: o uso excessivo do celular. O alerta é do especialista em neurociência e bombeiro militar Augusto Nicanor Vellasques, que vem estudando como o bombardeio constante de estímulos digitais interfere no sistema de recompensa do cérebro — justamente o responsável por gerar energia e entusiasmo para agir.

“Essas plataformas são projetadas para prender a atenção das pessoas. Elas oferecem recompensas constantes — curtidas, notificações, vídeos — e isso desequilibra a dopamina, neurotransmissor ligado ao prazer e à motivação”, explica Augusto ao Nossa Notícias.

Segundo ele, o problema é que o cérebro humano foi moldado, ao longo de milhares de anos, para viver em um ambiente de escassez e foco na sobrevivência. “Hoje, ele é exposto a estímulos intensos, o tempo todo. A cada notificação ou vídeo, o cérebro libera dopamina, o que traz uma sensação imediata de prazer. Só que, quando isso se repete em excesso, o sistema de motivação fica desregulado. A pessoa perde o interesse por atividades mais longas e desafiadoras, como estudar ou trabalhar”, observa.

O especialista compara o uso abusivo das telas a outros tipos de vício, como drogas ou jogos de azar. “Quando você não consegue evitar um comportamento, isso já é um vício. O cérebro passa a buscar a recompensa química da dopamina e perde o controle racional. É um ciclo automático e inconsciente”, afirma.

Essa dinâmica, segundo ele, explica por que tanta gente sente desânimo e dificuldade de concentração mesmo sem estar sobrecarregada. “O excesso de estímulos esgota o sistema de recompensa. A pessoa não tem mais energia mental para começar algo novo, procrastina e depois se sente frustrada — o que aumenta ainda mais a ansiedade”, pontua.

Mas há boas notícias. Augusto destaca que o cérebro tem capacidade de recuperação graças à neuroplasticidade — a habilidade de criar novas conexões neurais ao longo da vida. “Ao contrário do que se pensava, adultos também podem reverter padrões mentais. É possível reconstruir o foco e a motivação com estratégias simples, mas consistentes”, afirma.

Entre as principais práticas, ele cita o trabalho focado e a gestão consciente do tempo. “Eu também uso o celular todos os dias, mas aprendi a criar blocos de tempo. A falta de gestão do tempo é um dos maiores fatores da ansiedade. Quando a pessoa chega ao fim do dia e percebe que não fez metade do que precisava, isso gera frustração”, explica.

Augusto organiza sua rotina de forma a separar momentos de produtividade e lazer. “Durante quatro horas da manhã, por exemplo, eu trabalho profundamente, sem celular. Depois disso, tenho um período reservado para criação de conteúdo. E, à noite, o tempo é da minha família. É essencial deixar momentos claros de foco e momentos de descanso”, conta.

Para ele, aprender a lidar com os estímulos é a chave para recuperar a motivação e a sensação de propósito. “Todos temos as mesmas 24 horas. O que define nossos resultados é a forma como usamos esse tempo. Manter o foco e reduzir distrações é o que preserva nossa saúde mental e o prazer de viver”, conclui.

Falta de motivação pode ser consequência do uso excessivo do celular, alerta especialista rio-negrinhense em neurociência

Falta de motivação pode ser consequência do uso excessivo do celular, alerta especialista rio-negrinhense em neurociência

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